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Moraes preserva investigações de aparelhamento da PF pela Família Bolsonaro

Alexandre de Moraes, relator no Supremo de investigações que preocupam Bolsonaro. Ministro agiu preventivamente para  evitar interferência indevida na PF - Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF/Agência Brasil
Alexandre de Moraes, relator no Supremo de investigações que preocupam Bolsonaro. Ministro agiu preventivamente para evitar interferência indevida na PF Imagem: Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF/Agência Brasil
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

25/04/2020 06h42

Em seu pronunciamento no fim da manhã de ontem, o agora ex-ministro Sérgio Moro deixou claro que o presidente Jair Bolsonaro estava preocupado com duas investigações em particular que estão sendo feitas pela PF, mas que tramitam no STF: as que apuram respectivamente, a indústria de fake news contra o Supremo e a organização de atos em favor de um golpe de estado e do fechamento do Congresso e do tribunal. O ministro Alexandre de Moraes é o relator de ambas.

Moraes agiu correta e preventivamente: determinou na tarde desta sexta que o comando da PF, qualquer que seja ele, mantenha em suas respectivas funções os delegados que já trabalham nas duas frentes de investigação. Só para lembrar: a PF toca os inquéritos, mas o foro da investigação é o Supremo. Quem autoriza ou determina as diligências é o relator — no caso, Moraes.

Convenham: nem poderia ser diferente. Em mensagem enviada a Moro — repassada pelo ex-ministro ao Jornal Nacional —, Bolsonaro trata da substituição de Maurício Valeixo justamente ao comentar uma notícia sobre suposta investigação de vínculos de deputados bolsonaristas com os atos golpistas.

Quando Moraes tomou a decisão, a escolha de Alexandre Ramagem Rodrigues como diretor-geral da PF era dada como quase certa. Agora já é um fato.

Ora, se Bolsonaro associa um inquérito à necessidade de substituir o homem forte da PF, parece legítimo intuir que expressa a vontade de interferir na investigação. Moraes, então, se antecipou.

Vamos ver. Pode dar pano para manga. Em princípio, essa é uma questão que deveria ser resolvida no ambiente da PF. Mas e quando um ministro pede demissão, sai atirando contra o chefe, acusando-o de tentativa de interferir na investigação, exibindo, ademais, provas de que isso aconteceu?

Bem, o governante em questão cometeu crimes comuns e de responsabilidade, não é mesmo? E cabe ao Supremo, titular da investigação, assegurar que não haja interferência externa no trabalho da Polícia. Duvido que alguém tenha a coragem de recorrer. Seria confessar pela segunda vez que a intenção é mesmo manipular a Polícia Federal. Bolsonaro fez a primeira confissão em seu pronunciamento.

Reinaldo Azevedo