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Reinaldo Azevedo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lula venceria no 1º turno; a rejeição a Moro só é menor do que a Bolsonaro

Reprodução/Genial-Quaest
Imagem: Reprodução/Genial-Quaest
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

10/11/2021 09h05

Pesquisa mensal Genial Investimentos/Quaest divulgada nesta quarta mostra que, se a eleição fosse hoje, o petista Luiz Inácio Lula da Silva venceria no primeiro turno. Ao menos nos dois cenários testados, que são bastante plausíveis. No caso de segundo turno, o ex-presidente bateria com folga todos os seus adversários. O levantamento foi feito entre os dias 3 e 6 de novembro. Foram ouvidas 2.063 pessoas, em entrevistas presenciais, e a margem de erro é de 2,2 pontos para mais ou para menos.

PRIMEIRO TURNO
No primeiro cenário, se a eleição fosse hoje, Lula teria 48% dos votos, seguido por Jair Bolsonaro, que ficaria com apenas 21%. Sérgio Moro, que se filia hoje ao Podemos, viria em terceiro, com 8%. Ciro Gomes, do PDT, aparece com 6%, e João Doria, do PSDB, marca 2%. Rodrigo Pacheco, do PSD, aparece com 1%. Luiz Felipe Dávila, lançado há pouco dias como pré-candidato do Novo, ainda não pontua. Brancos, nulos e "não votariam" somam 10%. Declararam-se indecisos 4%.

No segundo cenário, o candidato tucano é Eduardo Leite, que marca 1%. As variações se dão na margem de erro. Lula teria 47%, seguido por Bolsonaro, com os mesmos 21%, e Moro, que mantém 8%. Ciro oscilaria para 7%, e Pacheco ficaria com 1%. Dávila não pontua. Brancos e nulos se mantêm em 10%, e os indecisos seguiriam sendo 4%. Nas duas simulações, o petista venceria a disputa no primeiro turno. No Cenário Um, teria 48% contra 38% dos adversários somados; no Dois, estes seguiriam com 38% contra 47%.

VOTAÇÃO ESPONTÂNEA
Na votação espontânea, quando o pesquisador não apresenta as alternativas ao entrevistado, Lula obtém a sua melhor marca desde julho: 29%. Subiu sete pontos em relação ao mês passado. Bolsonaro oscila na margem de erro: de 17% para 16%. Dizem que não pretendem votar em ninguém 4%. Citam outros nomes 2%, e Ciro marca 1%.

CORTES
Na pesquisa estimulada, o petista venceria em todas as regiões do país. O seu melhor desempenho se dá no Nordeste: 60%, seguido por Norte (57%), Sul (45%), Sudeste (42%) e Centro-Oeste (34%).

A maior marca de Bolsonaro é o Centro-Oeste (26%). Na sequência, vêm Sudeste (25%), Sul (22%), Norte (18%) e Nordeste: apenas 13%.

Quando se considera a renda, Lula e Bolsonaro estão tecnicamente empatados apenas entre os que ganham mais de 10 mínimos: 34% a 32%. O petista tem folga de 24 pontos entre os que recebem mais de dois até cinco salários mínimos — 44% a 20% — e esmaga o atual presidente entre os que recebem até dois: 61% a 15%.

SEGUNDO TURNO
Lula venceria qualquer dos seus adversários no segundo turno, a saber:
- Bolsonaro: 57% a 27%;
- Sergio Moro: 57% a 22%:
- Ciro Gomes: 53% a 20%;
- Eduardo Leite: 57% a 14%;
- João Doria: 58% a 13%
- Rodrigo Pacheco: 59% a 12%

CONHECIMENTO E REJEIÇÃO
A pesquisa faz um levantamento que cruza dados de conhecimento e adesão ou rejeição. Bolsonaro é o mais rejeitado pelo eleitorado, seguido de perto por Moro. No ranking negativo, Lula é apenas o quinto colocado. E é, de longe, o que conta com a maior adesão: 58% dizem que votariam nele (39%) ou poderiam votar (19%). Vejam os dados por candidato.
Bolsonaro
- 67%: conhecem e não votariam;
- 18%: conhecem e votariam;
- 12%: conhecem e poderiam votar;
- 02%: não conhecem

Moro
- 61%: conhecem e não votariam;
- 05%: conhecem e votariam;
- 19%: conhecem e poderiam votar;
- 14%: não conhecem

João Doria
- 58%: conhecem e não votariam;
- 02%: conhecem e votariam;
- 15%: conhecem e poderiam votar;
- 24% não conhecem

Ciro Gomes
- 53%: conhecem e não votariam;
- 04%: conhecem e votariam;
- 22%: conhecem e poderiam votar;
- 19%: não conhecem

Lula
- 39%: conhecem e não votariam;
- 39%: conhecem e votariam;
- 19%: conhecem e poderiam votar;
- 01%: não conhecem

Rodrigo Pacheco
- 36%: conhecem e não votariam:
- 01%: conhecem e votariam;
- 06%: conhecem e poderiam votar;
- 56%: não conhecem

Eduardo Leite
- 29%: conhecem e não votariam;
- 02%: conhecem e votariam;
- 08%: conhecem e poderiam votar;
- 59%: não conhecem

Luiz Felipe Dávila
- 20%: conhecem e não votariam;
- 01%: conhecem e votariam;
- 04%: conhecem e poderiam votar;
- 75%: não conhecem

No dia em que se faz uma grande pajelança para marcar a filiação de Moro ao Podemos, uma pesquisa indica que a rejeição a seu nome é grande. Nesse quesito, só Bolsonaro está à sua frente. E, como se nota, o ex-ministro não pertence ao grupo dos pré-candidatos que são pouco conhecidos pelo eleitorado.

Até agora, evidencia mais esse levantamento, inexiste o pré-candidato que desponta como "o nome" da dita terceira via. O ex-juiz parece ter uma ligeira vantagem, mas a rejeição é gigantesca.

Alguma esperança à terceira via? Vamos ver. Dizem preferir que Lula vença nada menos de 46% dos eleitores. Afirmam o mesmo sobre Bolsonaro 22%. Há 25% que respondem "Nem Bolsonaro nem Lula". Esperança? Eles eram 31% em julho.

A pesquisa também aponta a avaliação que os brasileiros fazem do governo Bolsonaro. Os dados não são nada animadores para o presidente. Fica para outro post.