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CNT-MDA 1: Sem Moro, Bolsonaro cresce no 1º; Lula vence 2º com 14 pontos

Reprodução/CNT-MDA
Imagem: Reprodução/CNT-MDA
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

10/05/2022 11h50

Veio a público há pouco a pesquisa CNT-MDA. Os que, vá lá, velam por algumas conquistas do pacto civilizatório no Brasil temem o "Bolsonaro virou!" E os beneficiários do fim do mundo, dispostos a dobrar a aposta, aguardam o momento do triunfo. Não aconteceu. Os rentistas do apocalipse vão encontrar razões para comemorar, claro! Sempre fazem isso. Se os números não os autorizam a tanto, dizem que a pesquisa não vale. E os que ainda apostam no triunfo da racionalidade sobre o caos ficarão um pouco mais tranquilos. E creio que estes estejam certos, ainda que todo cuidado, com efeito, seja pouco, como se verá. Vamos ver.

Se a eleição fosse hoje, no cenário estimulado de primeiro turno testado pelo levantamento CNT/MDA, os números seriam os que seguem abaixo. Os dados que aparecem entre parênteses se referem ao levantamento anterior, que é de fevereiro:
- Lula, PT - 40,6% (42,2%)
- Bolsonaro, PL - 32% (28%)
- Ciro Gomes, PDT - 7,1%% (6,7%)
- João Doria, PSDB - 3,1% (1,8%)
- André Janones, Avante - 2,5% (1,5%)
- Simone Tebet, MDB - 2,3% (0,6%)
- Felipe Dávila, Novo - 0.3% (0,3%)
- Bacos/Nulos - 5,1% (6,2%)
- Indecisos - 7% (6%)

O MDA ouviu 2.002 eleitores entre os dias 4 e 7 de maio. A margem de erro é de 2,2 pontos para mais ou para menos.

Todos cresceram um pouco, exceção feita a Lula e Ciro, que oscilaram para baixo. Os bolsonaristas querem fazer festa? Bem, eles o fariam de qualquer jeito. No que diz respeito a essa pesquisa, convém ter cuidado. "Mas como? O 'Mito' avançou quatro pontos percentuais. Reinaldo!" É verdade!

Ocorre que, revelam vários levantamentos, a maioria do eleitorado de Moro tem Bolsonaro como sua segunda opção. E o ex-juiz estava na simulação feita pelo instituto em fevereiro: tinha 6,4% das intenções de voto. Rodrigo Pacheco (PSD), que já disse que não vai se candidatar, aparecia com 0,3%.

De todo modo, eis o fato: Moro não estando entre os postulantes, Bolsonaro cresce — e até os outros candidatos levam algum tantinho. Os bolsonaristas certamente não desgostam dos dados. Mas convém ponderar — ainda que isso pareça algo bem estranho à turma.

HÁ DEZ MESES
Caso se recue 10 meses no tempo, sabem o que se vai encontrar? Lula estava com 41,3% das intenções de voto, contra 26,6% de Bolsonaro. Em quase um ano, o atual presidente ganhou 5,4 pontos, e o ex ficou na mesma, variando na margem de erro. Não se pode ignorar, no entanto, que existe o fator "Moro ausente" a colaborar com Bolsonaro, embora este tenha avançado 2,4 pontos entre dezembro do ano passado e ferreiro deste, quando o ex-juiz ainda estava na parada: de 25,6% para 28%.

SEGUNDO TURNO
Lula chegou a ter uma vantagem tão avassaladora no segundo turno que -- e escrevi isto aqui -- só poderia cair. No CNT-MDA, vê-se esse encurtamento da distância. Segundo o levantamento, se a disputa fosse hoje, o ex-presidente venceria o atual com 14 pontos de distância: 50,8% a 36,8%, uma variação dentro da margem de erro em relação a fevereiro: 53,2% a 35,3% (17,9 pontos). Essa distância já foi de 21,3 pontos em dezembro (52,7% a 31,4%) e de 19,3 em julho do ano passado (52,6% a 33,3%).

Outros cenários de segundo turno (dados entre parênteses referentes a fevereiro):
- Ciro Gomes 44,2% X 37,8% Bolsonaro (41,9% X 37,9%)
- Bolsonaro 38,8% X 33,9% Doria (41,1% X 29,8%)
- Bolsonaro 39,6% X 30,5% Simone Tebet
- Lula 50,2% X 16,5% Doria (54,9% a 16,7%)
- Lula 50,3% X 17,8% Simone Tebet

Como resta evidente, nem Lula despencou nem Bolsonaro disparou: em quase um ano, houve um encurtamento de 5,3 pontos na diferença. E estamos há cinco meses da eleição.

Aqui e ali se diz: "A campanha nem começou". Bem, essa é uma verdade que há muito ficou no passado. A campanha já toma as redes sociais, e o presidente Jair Bolsonaro, como resta evidente, tem sabido, vamos dizer, tomar conta do noticiário. Ainda que as pessoas razoáveis possam deplorar a sua pantomima golpista, nota-se, sim, um discreto e contínuo fortalecimento de sua postulação. Mas há, obviamente, obstáculos importantes.