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Reinaldo Azevedo

No inferno do sem-fim, PSDB alveja Doria e vira periferia de Bolsonaro

João Doria, ainda pré-candidato do PSDB à Presidência. Partido está prestes a rifá-lo, em rasteira inédita  - Guito Moreto / Agência O Globo
João Doria, ainda pré-candidato do PSDB à Presidência. Partido está prestes a rifá-lo, em rasteira inédita Imagem: Guito Moreto / Agência O Globo
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

20/05/2022 06h35

Leia trechos da minha coluna na Folha desta sexta.
*
A direção do PSDB está a um passo de abrir mão da candidatura de João Doria à Presidência da República. Exceção feita ao próprio Doria e a auxiliares próximos, poucos trabalharam por ela. Isso tem história, mas é escolha ou burra ou oportunista. Talvez falte ler outro João. Doria vem de duas disputas vitoriosas que fizeram vítimas internas. Mas quem não as fez na política? O próprio PSDB, originalmente, é uma costela do PMDB fraturado por Orestes Quércia. E deu certo. O partido-mãe nunca conquistou a Presidência em eleições diretas. Já a dissidência chegou lá duas vezes e disputou o segundo turno em outras quatro. O ruim pode ficar bom quando se tem rumo. Ou fica pior. O PSDB como parte desse troço dito "terceira via" -- que apelidei "nem-nem" como pilhéria, tomando a expressão emprestada a Roland Barthes --nunca entendeu o conflito. Antes, erro de análise; agora, cálculo. Entre o campo democrático e o processo de fascistização do país, tucanos que apostam em coligações sabidamente inviáveis eleitoralmente escolhem ser periferia do bolsonarismo -- e, pois, da fascistização.
(...)
O partido ignora outro João, o Guimarães Rosa. O Riobaldo, de "Grande Serão: Veredas", resumiu: "Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver -- a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo. O inferno é um sem-fim que nem não se pode ver. Mas a gente quer Céu é porque quer um fim: mas um fim com depois dele a gente tudo vendo."

Consta que a tal pesquisa destinada a tirar Doria da disputa teria constatado que a maioria dos brasileiros é contra a tal "polarização" (palavra estúpida!) Lula-Bolsonaro. É? Vai ver quer o "sem-fim" do inferno.

O eleitor quer um Céu, mesmo quando erra, porque quer um fim.
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