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Saadi diz que sua exoneração foi pedida, mas não sabe por quem

Ricardo Saadi, ex-superintendente da PF - Ian cheibub/folhapress
Ricardo Saadi, ex-superintendente da PF Imagem: Ian cheibub/folhapress
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

11/05/2020 22h00Atualizada em 12/05/2020 08h01

O ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro Ricardo Andrade Saadi disse, em depoimento prestado à PF nesta segunda-feira (11), que desconhece o motivo pelo qual foi exonerado do cargo em 2019. Afirmou que o então diretor-geral da PF Maurício Valeixo confirmou que sua saída foi um "pedido", mas não disse de quem.

Em seu depoimento, prestado também nesta segunda-feira, em Curitiba (PR), Valeixo afirmou que o pedido para a saída de Saadi partiu do então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, que por sua vez disse que o presidente Jair Bolsonaro queria colocar no cargo o delegado Alexandre Saraiva, do Amazonas. Na época, em uma declaração na frente do Palácio da Alvorada, Bolsonaro confirmou à imprensa que queria trocar o superintendente do Rio. Chegou a mencionar um suposto problema de produtividade.

Saadi repudiou a versão presidencial ao dizer, no depoimento desta segunda-feira. Ele disse que quando assumiu a Superintendência, entre março e abril de 2018, a unidade estava em 24º lugar no "índice de produtividade operacional da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado". Quando saiu da função, em agosto de 2019, Saadi disse que a unidade alcançara o quarto lugar no ranking.

O delegado disse que, na manhã do dia 15 de agosto de 2019, recebeu um telefonema de Maurício Valeixo pelo qual o diretor-geral afirmou que queria "adiantar os planos de troca da Superintendência do Rio de Janeiro" e queria remover Saadi "para Brasília, não revelando eventuais razões para tanto". No final de 2018, Saadi já havia dito a Valeixo que gostaria de se mudar para Brasília ou São Paulo, onde tem familiares.

Logo depois do telefonema de agosto de 2019, Saadi recebeu uma mensagem de um colega que apresentava uma notícia sobre as declarações de Bolsonaro no Palácio da Alvorada. Saadi telefonou de novo para Valeixo.

"Depois de ter lido a notícia, o depoente [Saadi] voltou a conversar ao telefone com o então diretor-geral e este lhe afirmou que teria havido um pedido de troca de superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro e teria concordado, uma vez que o depoente já havia manifestado interesse em retornar para Brasília ou para São Paulo", disse Saadi, segundo o termo de seu depoimento. "O então diretor-geral se reservou a afirmar que teria havido esse pedido, não esclarecendo a sua origem nem outros detalhes."

Se confirmou a intervenção sobre o seu cargo no Rio, por outro lado Saadi forneceu elementos que serão muito bem vistos pela defesa de Bolsonaro, pois afirmou que nunca recebeu "pedido formal ou oral", pela Presidência da República "ou por terceiros em nome dela", para fazer "interferência em investigações", incluindo as "eventuais investigações relacionadas ao presidente Jair Bolsonaro, familiares seus, ou pessoas ligadas a ele".

O ex-superintendente disse ainda que "não recebeu qualquer pedido formal ou informal de informações sobre inquérito em face do senador Flávio Bolsonaro relacionado à notícia de desvio de recursos de seus antigos assessores na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro".

Rubens Valente