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Presidente da Funai testa positivo para novo coronavírus

O presidente da Funai, Marcelo Xavier, discursa durante evento em São José (SC) no dia 27 de junho de 2020 - Acervo / Funai  (Willian Meira/MMFDH)
O presidente da Funai, Marcelo Xavier, discursa durante evento em São José (SC) no dia 27 de junho de 2020 Imagem: Acervo / Funai (Willian Meira/MMFDH)
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

08/07/2020 14h45

O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), o delegado de Polícia Federal Marcelo Xavier, testou positivo para o novo coronavírus. O teste foi feito ontem e o resultado foi informado à Funai nesta quarta-feira (8). Xavier está em casa desde o início da semana.

A Funai afirmou que "tem tomado todas as medidas para resguardar a saúde e o bem-estar dos servidores frente à pandemia do novo coronavírus, seguindo protocolo do Ministério da Saúde".

Com o resultado do exame positivo do presidente, segundo a Funai, "os servidores e colaboradores do Gabinete da Presidência [do órgão] foram colocados em regime de quarentena, passando a trabalhar remotamente. Também foram realizados procedimentos de assepsia e descontaminação nas dependências do órgão".

A Funai recomenda "a todos que tiveram contato com o presidente nos últimos dias que monitorem o seu estado de saúde e comuniquem imediatamente à presidência o surgimento de eventuais sintomas".

O estado de saúde de Xavier é considerado bom e ele está usando azitromicina e hidroxicloroquina, remédios cuja eficácia contra a covid-19 não é confirmada por estudos científicos.

Não há registro, na agenda do presidente Jair Bolsonaro, de que ele tenha se encontrado com Xavier nos últimos 14 dias - período que vem sendo considerado pelos especialistas como o tempo de incubação da doença. Nesta terça-feira (7), Bolsonaro disse que seu teste deu positivo para a presença do vírus.

Há onze dias, em 27 de junho, Xavier participou de uma cerimônia com lideranças indígenas e a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) em São José (SC) para marcar início de distribuição de cestas básicas na região durante a pandemia. Imagens feitas pelo ministério mostram que Xavier não usou máscara na hora do seu discurso. Em imagens de outros momentos do evento, contudo, é possível ver que o presidente da Funai utilizou a proteção.

O mesmo local onde o evento foi realizado, a Coordenação Regional Litoral Sul da Funai em São José (SC), fez testes rápidos de diagnóstico da covid-19 entre os servidores da unidade, segundo a Funai informou em texto distribuído à imprensa nesta terça-feira (7).

De acordo com a Funai, a Coordenação é "responsável pelo atendimento de 60 comunidades indígenas do povo guarani e outras dez do povo xokleng distribuídas pelos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul". O coordenador regional, Eduardo Remus Cidreira, disse à comunicação da Funai que "há uma preocupação constante com a saúde da população indígena em razão do atendimento cotidiano realizado pela Funai nas aldeias".

A coluna apurou que já houve cinco casos confirmados de covid-19 dentro da sede da Funai, em Brasília. Os casos geram grande preocupação porque o prédio é frequentado por indígenas. Eles têm vindo em número cada vez menor, por causa da pandemia, mas bastaria uma contaminação para espalhar o vírus em uma terra indígena, onde a vida em comum é maior do que nos centros urbanos.

Na segunda quinzena de maio, após a confirmação do primeiro caso entre servidores do órgão, no dia 16 daquele mês, a Funai foi procurada pela coluna. Até aquele momento, segundo o órgão, 64% do quadro funcional se encontrava em atividade remota, o que representava 322 do total de 496 servidores na sede.

A Funai confirmou que essa proporção de trabalho remoto continua no órgão.

Em maio, a Funai disse ainda que "todas as medidas de precauções têm sido tomadas para resguardar a saúde e o bem-estar de seus servidores neste momento de pandemia decorrente do novo coronavírus". "Vale lembrar que a Funai flexibilizou o expediente presencial desde o último dia 17 de março, com adoção do regime de teletrabalho para seus servidores, quando publicou orientações e diretrizes gerais propondo nova rotina laboral diante da pandemia da covid-19."

Segundo a Funai, "os procedimentos e orientações dadas pela Diretoria de Administração e Gestão trazem dentre outras questões: a possibilidade de pedido de trabalho remoto aos servidores do grupo de risco, bem como daqueles que coabitam com pessoas em situação de risco; a permissão de expediente em turnos de revezamento, possibilitando assim o espaçamento mínimo de 2 metros entre os servidores e colaboradores, bem como a diminuição da presença física no ambiente de trabalho".

Rubens Valente