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Mendonça requisitou inquérito na PF sobre Boulos após pedido de deputado

13.dez.2016 - Os senadores Fátima Bezerra (PT-RN) e José Medeiros (PSD-MT), hoje deputado federal, travaram uma discussão ríspida no plenário do Senado em 2016 - Pedro França/Agência Senado
13.dez.2016 - Os senadores Fátima Bezerra (PT-RN) e José Medeiros (PSD-MT), hoje deputado federal, travaram uma discussão ríspida no plenário do Senado em 2016 Imagem: Pedro França/Agência Senado
Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

28/09/2020 20h35

Foi a pedido do ministro da Justiça, André Mendonça, que a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar uma postagem feita na rede social Twitter em abril pelo atual candidato à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), segundo fontes consultadas pela coluna.

O ministro, por sua vez, acolheu um pedido do deputado federal José Medeiros (Pode-MT), um ferrenho defensor do presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais.

O UOL procurou o Ministério da Justiça no início da noite desta segunda-feira (28), mas não houve retorno até o fechamento deste texto. A existência do inquérito na PF foi revelada pela colunista Mônica Bergamo, da "Folha de S. Paulo".

Em 20 de abril, Boulos escreveu em sua rede social: "Um lembrete para Bolsonaro: a dinastia de Luís XIV terminou na guilhotina..." Naquele dia, Bolsonaro havia dito, na saída do Palácio da Alvorada, que ele era a própria Constituição brasileira. Assim, Boulos fazia referência ao absolutismo francês do século 17, sintetizada na frase "o Estado sou eu", atribuída ao rei Luís XIV (1638-1715).

Medeiros provocou o Ministério da Justiça dois dias depois, em 22 de abril, quando o ministro ainda era o ex-juiz federal Sergio Moro. Ele deixou o cargo no dia 24 de abril. Dias depois, já no cargo de ministro da Justiça, o ex-advogado-geral da União André Mendonça enviou ofício sobre o assunto à Polícia Federal, que abriu a investigação. Segundo fontes consultadas pela coluna, Mendonça também enviou um ofício para a Presidência a fim de informar as medidas que foram tomadas.

A partir da requisição do ministro, a PF abriu um inquérito na DIP (Diretoria de Inteligência Policial), uma das seis diretorias vinculadas ao gabinete do diretor-geral do órgão.

Além do então ministro Moro, José Medeiros procurou o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, e o procurador-geral da República, Augusto Aras, com pedidos semelhantes, nos dias 22 de abril e 1º de junho.

No ofício ao Ministério da Justiça, Medeiros perguntou qual a intenção da postagem de Boulos, se ele "pretende sugerir" que Bolsonaro "seja decapitado?" "É inadmissível que alguém faça uma insinuação desse tipo e não responda criminalmente por isso", escreveu o deputado federal. "O presidente Jair Bolsonaro sofre ameaças e incitações de morte diuturnamente por parte de artistas, deputados, ex-candidatos à presidência, como se fosse algo normal e aceitável. Aliás, esses agressores denominam tais atitudes como 'ódio do bem'", disse o deputado no ofício.

O advogado de Boulos, Alexandre Pacheco Martins, disse que as alegações do deputado não têm lógica e que a manifestação do atual candidato à prefeitura de SP não incitou nem sugeriu nenhum ato de violência, sendo apenas um comentário de cunho histórico.

tão absurdo, juridicamente falando, que apesar de toda a parte política que está por trás desse inquérito, ao final a própria Justiça, a própria Polícia Federal vão concluir que não tem justa causa, não faz sentido, não tem crime para ser investigado. É algo que naturalmente vai se encerrar. Já começa sem razoabilidade nenhuma", disse o advogado.

A Polícia Federal informou que "investiga fatos, e não pessoas" e que o inquérito segue sem conclusão e "sem juízo formado de convicção" a respeito de cometimento de algum crime.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.