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Rubens Valente

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Ianomâmis denunciam ataque de garimpeiros a tiros na terra indígena em RR

Rubens Valente

Rubens Valente é repórter desde 1989 e há 10 anos atua em Brasília. Nasceu no Paraná e trabalhou em órgãos da imprensa de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde se formou em jornalismo na UFMS (Universidade Federal do MS). É autor de "Operação banqueiro" (Geração Editorial, 2014) e "Os fuzis e as flechas - história de sangue e resistência indígena na ditadura militar" (Companhia das Letras, 2017). Recebeu 17 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o Prêmio Esso de Reportagem, dois Prêmios de Excelência Jornalística da SIP (Sociedade Interamericana de Jornalismo) e dois Grandes Prêmios Folha.

Colunista do UOL

10/05/2021 16h38Atualizada em 10/05/2021 22h34

Indígenas ianomâmis relataram à Funai (Fundação Nacional do Índio) que houve um ataque a tiros por garimpeiros dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, na manhã desta segunda-feira (10), resultando em pelo menos cinco feridos.

No início da noite desta segunda-feira (10), o líder indígena Dário Kopenawa Yanomami descartou que tenham ocorrido mortes entre os indígenas em decorrência do tiroteio.

O garimpo é ilegal dentro da terra indígena e desde 2019 as lideranças ianomâmis vêm pedindo ao governo Bolsonaro que promova a retirada de cerca de 20 mil garimpeiros - o vice-presidente Hamilton Mourão já admitiu que há 3,5 mil garimpeiros na terra indígena.

Relatório enviado à Funai em Brasília nesta segunda-feira (10) pela coordenação da frente etnoambiental Yanomami e Yek'wana afirmou ter recebido a informação de que sete barcos de garimpeiros "portando armas de fogo atiraram contra indígenas" na comunidade de Palimiú. Os indígenas teriam revidado ao ataque, diz o relatório, resultando em um indígena e quatro garimpeiros feridos.

"Dada a gravidade dos fatos e o perigo iminente de novos conflitos, não será possível que a Funai diligencie até a comunidade para colher informações sem que haja escolta de forças de segurança pública", diz o relatório.

Áudios que circulam entre garimpeiros, aos quais a coluna teve acesso, falam que o ataque partiu de uma "facção" armada até com fuzil e metralhadora.

Dário Kopenawa, filho do líder indígena Davi Kopenawa, da coordenação da Hutukara Associação Yanomami, enviou ofícios à Polícia Federal, ao MPF e à Brigada de Infantaria de Selva do Exército para pedir aos órgãos "que atuem com urgência para impedir a continuidade da espiral de violência no local e garantir a segurança para a comunidade Yanomami de Palimiú".

Em 30 de abril, Dário já havia alertado a Funai, a PF e o MPF sobre "ocorrência de tiroteio entre indígenas e garimpeiros no Palimiú". Segundo o ofício, em 27 de abril um grupo de indígenas interceptou um barco com cinco garimpeiros e apreendeu uma carga de 900 litros de combustível. Em retaliação, outros sete garimpeiros "reagiram disparando três tiros contra os indígenas". Os ianomâmis responderam, mas ninguém saiu ferido.

"Após o tiroteio, os Yanomami expulsaram os cinco garimpeiros, alertando-os para que não voltassem, porque não querem garimpeiros subindo e descendo o rio e causando transtornos às comunidades. Os garimpeiros então retornaram com a embarcação vazia. Segundo o relato, ainda, as lideranças estão indignadas com a continuidade da invasão garimpeira em suas terras e com a violência e ameaça praticada pelos invasores. Temendo que novas retaliações por parte dos garimpeiros resultem em mais conflitos violentos e mortes, os indígenas exigem uma resposta dos órgãos públicos para garantir a segurança das comunidades", diz o ofício de Dário Kopenawa.