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Exoneração de Moro assusta a esquerda para 2022 e desnorteia bolsonaristas

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

24/04/2020 11h32

Bolsonaro perde seu ministro mais popular e ganha um forte adversário para as eleições de 2022. Boa parte dos bolsonaristas já está aderindo imediatamente a Moro nas redes sociais. A parte que fica no ninho está atônita, desnorteada.

Para piorar a situação de Bolsonaro, há a crise econômica não debelada pelo ministro Paulo Guedes, conforme o prometido, e agravada pela pandemia do novo coronavírus.

Não se vislumbra uma solução econômica de curto prazo e quanto mais sangrar a economia, mais sangrará o eleitorado de Bolsonaro com o tempo em direção ao seu ex-ministro da Justiça e agora potencial candidato a presidente da República.

A demissão de Moro mexe com todo o quadro eleitoral de 2022.

Uma visada sobre o espectro políticos mostra que o centro ganhou talvez o mais forte possível candidato do grupo. Mas com um perfil de centro-direita.

A centro-esquerda e a esquerda saem quase tão feridas quanto Bolsonaro. Ganharam um adversário forte capaz de unificar a direita não-bolsonarista e boa parte do centro.

Tudo junto e misturado, Moro deixa a esquerda assustada e os bolsonaristas da extrema direita conservadora completamente perdidos.

É a maior tragédia para o bolsonarismo, no pior momento.