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Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lira dá recado de que Congresso já abandonou Bolsonaro: "Tchau, querido!"

Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, e o presidente da República, Jair Bolsonaro - Adriano Machado/Reuters
Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, e o presidente da República, Jair Bolsonaro Imagem: Adriano Machado/Reuters
Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

15/02/2022 16h01Atualizada em 15/02/2022 20h24

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é o principal aliado do presidente Jair Bolsonaro no Congresso? É o que se dizia, mas a verdade é que Lira já abandonou Bolsonaro.

Simples assim: desde que o presidente da República empacou nas pesquisas eleitorais, o chefão do centrão na Câmara decidiu jogar o seu próprio jogo. Bolsonaro, se quiser, que venha atrás.

E Lira ainda manda recados pelos jornais.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, disse que já passou do tempo de Bolsonaro tomar vacina contra a covid; que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem que se submeter hierarquicamente ao ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (que, por sinal é do mesmo partido, o PP, de Arthur Lira); e que a reforma tributária só será votada depois das eleições, ou seja, quando o Congresso souber quem será o próximo mandatário do Palácio do Planalto.

Bolsonaro é página virada.

Tanto que, ao elencar os projetos prioritários para votação na Câmara, Lira citou a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para acabar com os terrenos de Marinha, a legalização dos jogos de azar e o projeto para criminalizar a propagação de "fake news". São pautas de interesse dos partidos do centrão. Não estão entre as prioridades os temas caros ao bolsonarismo, como as pautas de costumes.

A equipe econômica é tratada por Arthur Lira como, digamos assim, um grupo de consultores.

Os auxiliares do ministro Paulo Guedes fazem as contas e cabe a Arthur Lira e os seus seguidores na Câmara decidir o que vale e o que não vale dessas contas.

Hoje não vale nada o velho Posto Ipiranga -que antes e no início do governo o presidente Bolsonaro anunciou como sendo a maior autoridade de sua administração.

Arthur Lira só tem um problema com que se preocupar: o Senado e o presidente da Casa vizinha, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), cujo partido arrasta a asa para o ex-presidente Lula, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais.

Pacheco é pré-candidato a presidente da República, mas tem tudo para acabar candidato à reeleição para o comando da Casa com o apoio de Lula e do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Na Câmara, se Lula for reeleito, Lira terá que fazer das tripas coração para ganhar o apoio dos partidos de esquerda e do tal centro democrático (PSD, PSDB, DEM, Cidadania e PSL), que estará mais interessado numa aliança com o governante de plantão.

Muito difícil. Mas ele começa a largar o barco que ameaça afundar. Quem sabe não recebe uma boia do futuro governo?

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