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Tales Faria

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ciro Gomes fez péssima jogada em Minas Gerais e pode ficar sem palanque

Tales Faria

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, ?Todos os Sócios do Presidente?, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Colunista do UOL

28/05/2022 07h35

Explosivo, o pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, corre o sério risco de ficar sem palanque em Minas Gerais, Trata-se do segundo maior colégio eleitoral do país. Na história recente, nenhum candidato ao Palácio do Planalto venceu as eleições sem ter saído vitorioso no estado.

Mas eis que Ciro resolveu bater de frente com o diretório estadual de seu próprio partido, afirmando que o pré-candidato pedetista ao governo de Minas, Miguel Correa, não será o candidato oficial da sigla em outubro. Resultado: o presidente do PDT local, deputado federal Mário Heringer, sentiu-se desautorizado e renunciou ao cargo.

O motivo da afirmação desastrada de Ciro foi, digamos assim, puro ciúme. Miguel Correa era do PT e mantinha um bom relacionamento com o candidato do PT ao Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva. a quem elogiou publicamente, embora frisando que votaria em Ciro.

O candidato à Presidência resolveu xingar o colega de partido de "ficha suja" e que "havia saído ontem do PT para se filiar ao PDT".

Pois bem, agora o partido no estado entrou em crise, justamente no momento em que Lula acaba de fechar aliança com o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, do PSD. E que Bolsonaro discute um acordo com o governador Romeu Zema, do Novo.

Ou seja, quando a eleição em Minas Gerais mais tende a se tornar polarizada, Ciro Gomes resolve, por si só, se isolar. É uma péssima jogada.