Em duas semanas, casos de dengue triplicam em cidades do interior de SP

Do UOL Notícias*

Em São Paulo

  • F. Piton/A Cidade/Futura Press

    Foi feito hoje (4) o primeiro arrombamento de casa com ordem judicial no bairro Ipiranga, em Ribeirão Preto (SP), para a realização do controle de vetores, como escorpiões, ratos, baratas e focos de criadores do mosquito da dengue


Os registros de pessoas com dengue praticamente triplicaram nas cidades de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araçatuba, todas no interior de São Paulo. Juntos, os três municípios concentram mais da metade (11.274) dos casos da doença no Estado, de acordo com dados das secretarias municipais de Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde.

Com aproximadamente 420 mil habitantes e 6.601 casos confirmados até o dia 2 de março, São José do Rio Preto tem a maior incidência de dengue. Do total de casos, 19 são de febre hemorrágica do dengue (FHD), 21 casos de dengue com complicações (DCC) e o restante do tipo comum da doença.

Em meados de fevereiro, o número de infectados era de 2.366, segundo balanço da Secretaria de Estado. Até o momento foi confirmada uma morte por dengue no município.

Para combater o vírus, a Secretaria Municipal de Saúde de São José do Rio Preto está visitando residências em busca de possíveis criadouros e fazendo a nebulização (aplicação de fumacê) por meio de caminhonetes com equipamentos acoplados.

O órgão também fiscaliza imóveis com grande circulação e pontos estratégicos, como floriculturas, cemitérios e borracharias. Até segunda-feira (1º) foram aplicados 113 autos de infração a proprietários. A Cooperativa de Carroceiros também auxilia no combate à dengue coletando materiais em terrenos baldios.

Em Ribeirão Preto, com 563 mil habitantes, os casos de dengue saltaram de 951, em meados do mês passado, para 2.116 casos no início desse mês de março. Cerca de 600 pessoas estão trabalhando no enfrentamento à dengue no município, vistoriando casas e aplicando fumacê.

Aproximadamente 5.500 proprietários de Ribeirão foram notificados para realizar a limpeza de suas propriedades. Além disso, agentes estão percorrendo locais estratégicos com o “mosquito inflável”, uma réplica gigante do mosquito da dengue. Nesses locais são transmitidas informações sobre o combate aos focos do Aedes Aegypti.

Já Araçatuba, com 182 mil habitantes, está com 1.357 casos confirmados em laboratório, além de aproximadamente 1.200 casos identificados por análise clínica-epidemiológica, totalizando cerca de 2.550 registros de dengue. Em meados de fevereiro eram 649 registros.

A prefeitura do município já interferiu em 1.500 terrenos onde havia a suspeita da reprodução do mosquito. Com auxílio de chaveiros e o acompanhamento de vizinhos, agentes municipais estão entrando em residências desocupadas para pôr fim em focos da doença.

Santos
No litoral, a unidade do hospital Ana Costa, em Santos, vive uma epidemia de dengue. Isso é o que mostra uma pesquisa sobre a doença divulgada nesta quarta-feira (3) por uma equipe do hospital. Somente entre os dias 11 de janeiro e 1º de março foram confirmados 173 casos de dengue no local.

O estudo, realizado em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), também indica que houve um aumento de 2.480 atendimentos clínicos de emergência no local em fevereiro de 2010, em comparação com o ano anterior. Quando são contabilizados os dados de outras cinco unidades do complexo hospitalar, todas localizadas em cidades da Baixada Santista, o número total de atendimentos de emergência em fevereiro ficou em 58 mil, um acréscimo de 40% em relação a 2009.

Mato Grosso do Sul
A cada três minutos é registrado um caso de suspeita de dengue no Mato Grosso do Sul, conforme boletim epidemiológico divulgado hoje (4) pela Secretaria Estadual de Saúde. São 491 casos por dia, o que também corresponde a 20 notificações por hora. Os óbitos em consequência da doença somaram sete casos desde janeiro e existem mais oito sendo investigados como vítimas da dengue tipos 1 e 2.

O total das suspeitas é de 28.496, liderado por Campo Grande, que responde 61,1% dos casos (17.429), com três mortes confirmadas por exames. Em Dourados ocorreram dois óbitos, em Rio Brilhante, um, e em Corumbá, um, no Pantanal do Estado. Esta última morte motivou preocupações das autoridades de saúde, já que a doença matou um homem de 39 anos na semana passada, que há dois anos não saía da fazenda onde morava, a 80 quilômetros de Campo Grande.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá, historicamente não havia registro de dengue no Pantanal. Ontem, uma equipe técnica foi até a fazenda e não encontrou focos da doença. Os fundos da propriedade rural, de onde o homem chegou com febre alta, depois de um dia de trabalho, foi minuciosamente examinado e também nada foi encontrado. Na fazenda, cinco famílias tiveram dengue durante o mês passado.

*Com informações da Agência Estado e de Raquel Maldonado, do UOL Notícias, em São Paulo

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