PF descobre "condomínio" de madeireiras em área da União na Amazônia; 8 são presos

Guilherme Balza

Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Ascom/Ibama/RO

    Imagem divulgada pelo Ibama mostra área desmatada em Rondônia; o órgão abriu cinco frentes de combate ao desmatamento no Estado

    Imagem divulgada pelo Ibama mostra área desmatada em Rondônia; o órgão abriu cinco frentes de combate ao desmatamento no Estado

A Polícia Federal de Rondônia prendeu nesta terça-feira (31) oito madeireiros que invadiram uma área de aproximadamente 170 mil hectares pertencente à União --equivalente à área da cidade de São Paulo-- para extrair ilegalmente árvores nobres, como cerejeira, mogno e faveira-ferro na região da divisa dos Estados de Rondônia, Acre e Amazonas, sobretudo em Vista Alegre do Abunã (RO)

Segundo o delegado Carlos Sanches, os criminosos cercaram e dividiram a área para cada um dos envolvidos e criaram uma espécie de condomínio fechado, batizado de “Condomínio Jequitibá", em alusão à madeira da árvore de mesmo nome. A região invadida pelos criminosos é de selva fechada.

Entre os detidos está José Genário Macedo, conhecido como “Ceará Popó”, que segundo a PF é patrão de Ozias Vicente Machado, preso na segunda-feira (30) suspeito pela morte do líder camponês, Adelino Ramos, o Dinho, assassinado na sexta-feira (27). No final do ano passado, agentes da PF à paisana foram informados da intenção de Ceará Popó em matar Dinho, que colaborava com o Ibama no combate aos madeireiros ilegais.

Na mesma ocasião, os policiais ouviram que Ceará Popó tinha interesse em matar agentes da PF. A Polícia Civil investigará se Ceará Popó tem participação na morte do ativista. Também foi preso Pedro Amarildo Clemente, irmão do deputado estadual José Eurípedes Clemente (PTN).

Segundo a PF, o grupo invadiu a área e começou a montar o condomínio em meados de 2009. Nesses dois anos, os criminosos removeram, sobretudo, as árvores nobres, mas a ideia era posteriormente desmatar a região para criar gado. Pelo menos 45 mil metros cúbicos de madeira foram retirados e 1.500 hectares foram devastados --equivalente a mais de 2.000 campos de futebol.

O grupo cobrava R$ 30 de pedágio para cada caminhão que atravessasse a área, que é cortada por estradas de terra precárias, em nome da Associação Ruralista do Ramal Jequitibá, que não existe legalmente. “Monitoramos o local e contabilizamos que em 90 dias passaram pelo menos 2.000 caminhões”, afirma Sanches. A quadrilha ainda mantinha olheiros que portavam rádios e telefones clandestinos.

Além de Ceará Popó e Clemente, foram presos Nixon Luiz Severino, André Bandeira Macari, Nedio Francisco Carbonera, Pedro Cesconeto, Ivo Armindo Ladwing e Moisés Basso Stevanelli. Os presos foram levados para o presídio Urso Panda, anexo do Urso Branco, em Porto Velho.

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