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Acusação diz que Cepollina agiu por 'pedigree' ferido e defende coronel Ubiratan no 'Massacre do Carandiru'

Débora Melo

Do UOL, em São Paulo

07/11/2012 14h02

A argumentação da acusação na última fase do julgamento de Carla Cepollina tentou passar aos jurados (seis homens e uma mulher) que a ré é uma pessoa “prepotente” e não admite a autoria do crime “porque fere o pedigree”. Carla é acusada pela morte do coronel da reserva da Polícia Militar Ubiratan Guimarães.

“Mas é preciso acabar com essa história de que réu titulado não vai para a cadeia, de que rico não vai para a cadeia, só pobre”, disse o advogado Vicente Cascione, auxiliar do promotor João Carlos Calsavara no julgamento.

Durante uma hora e meia de argumentação, a acusação tentou mostrar o comportamento explosivo e ciumento de Cepollina, que teria levado a ré a agir com violência ao descobrir as mensagens trocadas entre Ubiratan e a delegada Renata Madi, com quem o coronel estava tendo um relacionamento amoroso. Para isso, o promotor lembrou os momentos em que Cepollina foi expulsa do plenário após se manifestar e, também, quando pediu para ser chamada de “doutora”, mas depois se arrependeu.

A acusação também procurou mostrar aos jurados que as provas contra a ré são os horários dos torpedos e das ligações entre o celular de Ubiratan --que estaria com Cepollina-- e o de Renata e o horário do tiro. De acordo com o advogado Cascione, as mensagens foram trocadas entres as 18h58 e as 19h01 e, às 20h26, Cepollina atendeu ao telefone de Renata para o telefone fixo do coronel, o que teria sido seu “erro”, já que o tiro foi ouvido entre as 19h e as 19h30. “Depois que ela saiu de lá, após as 20h26, ele literalmente não deu mais sinal de vida. Não fez nem atendeu ligações. Se não foi ela, ela foi testemunha ocular do crime”, disse Cascione.

Ainda na tentativa de mostrar que Cepollina era "territorial" --como ela mesma se definiu em depoimento--, Calsavara comparou Cepollina ao zagueiro do Corinthians Chicão pela "marcação cerrada" para expor que, diferentemente do que diz a ré, ela era ciumenta.

Em seu depoimento ontem (6), Cepollina, que administrava toda a vida e o apartamento do coronel, chegou a afirmar que fez uma caixa com as fotos das ex-namoradas de Ubiratan com uma etiqueta "titias".

Para Cascione, ao descobrir o envolvimento do coronel com a delegada da Policia Federal Renata Madi, "uma mulher mais jovem", Cepollina não aceitou a traição.

"Ela deve ter dito: 'Eu ir para o álbum das titias? Não. Vai morrer'", disse Cascione.

O coronel Ubiritan foi o comandante da operação que, em 1992, ficou conhecida como “Massacre do Carandiru” e resultou na morte de 111 presos. Cascione, que era advogado de Ubiratan, também defendeu a atuação do coronel durante a invasão do presídio.

“Não interessa se na cabeça de algum jurado o coronel merecia morrer. A polícia, naquele dia, não matou 111, salvou 2.000 [presos]. Se a polícia não entrasse, todos morreriam. A tropa entrou por ordem dos juízes e do secretário de Segurança Pública, para combater o incêndio. Todos morreriam por asfixia”, disse.

Cascione defendeu Ubiratan no segundo julgamento do massacre, quando o coronel foi absolvido --em julgamento anterior, ele havia sido condenado a 632 anos de prisão.

“É preciso deixar claro que o coronel não é um comandante de massacre. Ele foi absolvido de forma legítima, com base nas provas”, continuou.

“Foi depois que todo mundo amaldiçoou a invasão do Carandiru que o crime organizado cresceu e a polícia murchou. E hoje são 90 PMs mortos”, afirmou Cascione, referindo-se à onda de violência que atinge São Paulo.

Após um intervalo determinado pelo juiz Bruno Ronchetti de Castro, o julgamento foi retomado por volta das 14h20 com a argumentação da defesa de Carla Cepollina.

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