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Cotidiano

MST começa protestos e fecha rodovias pelo país nesta quarta-feira

Carlos Madeiro

Do UOL, em Maceió

17/04/2013 09h37Atualizada em 17/04/2013 16h25

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realiza, nesta quarta-feira (17), uma série de mobilizações em todo o país para lembrar os 19 mortos no massacre de Eldorado dos Carajás (PA), ocorrido há exatos 17 anos. São prometidos 1.800 bloqueios em rodovias e estradas vicinais de 1.800 municípios -todos por 19 minutos, com cada minuto lembrando uma das vítimas do massacre.

As manifestações fazem parte da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, também conhecido como “Abril Vermelho”. Foram promovidos atos em vários Estados, com protestos e ocupações de terra e prédios públicos.

Este ano, a jornada do MST também cobra a presidenta Dilma Rousseff a lançar um plano emergencial para o assentamento das 150 mil famílias no País. Segundo o movimento, o atual governo é o que menos assentou trabalhadores desde governo Fernando Collor.

Em Brasília, uma marcha em direção ao STF (Supremo Tribunal Federal) deixou o trânsito congestionado no eixo monumental, nesta manhã, e causou irritação de motoristas. Na capital federal, o protesto é para cobrar celeridade no julgamento de causas fundiárias.

Segundo o MST, há 523 processos judiciais envolvendo a reforma agrária no Brasil, dos quais 234 estão parados na Justiça Federal.

Em Belo Horizonte, os sem terra fecharam o anel rodoviário, no início da manhã, e causaram um grande congestionamento no bairro Betânia, região oeste da capital mineira.

Além de lembrar o massacre de Eldorado, o movimento cobra também a condenação dos fazendeiro Adriano Chafik, acusado de ser mandante do Massacre de Felisburgo, ocorrido no Vale do Jequitinhonha, em novembro de 2004, quando cinco sem terra foram mortos e 20 ficaram feridos. O julgamento está marcado para 15 de maio.

São Paulo

Vários grupos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) prometem fazer hoje o maior protesto enfrentado pela gestão de Fernando Haddad (PT). Eles têm a intenção de reunir 10 mil pessoas em frente à sede da Prefeitura de São Paulo, no viaduto do Chá, no centro da capital.

Pela manhã, Haddad disse que é natural a ansiedade do movimento de moradia. No entanto, afirmou que não é de "bom tom" que os sem-teto queiram escolher as pessoas responsáveis pela negociação por parte da Prefeitura.

Os líderes do movimento se recusam a negociar com o secretário de Habitação, José Floriano de Azevedo Marques Neto, do Partido Progressista, o mesmo de Paulo Maluf, e com um interlocutor escolhido pela pasta.

"Se a pessoa se recusa a dialogar, o diálogo se torna impossível", disse o prefeito. "São muitos anos sem produção de moradia. O movimento está ansioso", afirmou Haddad.

Paraná

No Paraná, o MST informou que foram fechadas 20 rodovias nesta manhã. Foram bloqueadas estradas em Cascavel, Ramilândia, Clevelândia, Renascença, Londrina, Guairaçá, Nova Esperança, Santo Inácio, Faxinal, Tamarana, Porecatu, Arapongas, Pitanga, Ivaiporã, Ponta Grossa, Rio Bonito do Iguaçu, Quedas do Iguaçu, Luiziana, e Mandaguari.

Além disso, cerca de 150 sem terra realizam um ato em frente ao Tribunal de Justiça. O MST cobra, no Estado, o julgamento dos crimes ocorridos em causas fundiárias. No Estado, o movimento contabiliza 19 assassinatos, entre 1994 a 2009, e somente quatro foram julgados.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, cerca de 1.500 integrantes do MST e de outros movimentos ocuparam o prédio da Secretaria de Educação do Estado, em Porto Alegre. Eles exigem do governo investimentos na educação pública nas áreas de assentamentos.

Uma comissão de representantes dos movimentos foi recebida pela secretária-adjunta, Maria Olalia, que recebeu a pauta de reivindicações dos sem terra.

Pernambuco

Em Pernambuco, Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o MST realizou protestos fechando a BR-101 nos municípios de Xexéu, Escada e Goiana. Outro protesto ocorreu na BR-408, em Paudalho.

Mais de 350 famílias realizaram cinco ocupações desde o último domingo (14) no Estado. Os sem terra ocuparam fazendas e usinas em Petrolina, Catende, Arcoverde, Itaquitinga e São Caetano.

Bahia

Em Salvador, os manifestante realizaram um ato político em frente à Assembleia Legislativa. Eles pediram que seja investigada a morte de Fábio Santos da Silva, coordenador do MST assassinado com 15 tiros, no início do mês, em Iguaí, sudoeste baiano.

Ainda na Bahia, os cerca de 5.000 sem terra farão um ato, seguido de uma vigília, na Justiça Federal no Estado. Eles afirmam que exitem 49 áreas no Estado que já foram autorizadas para que se realize a reforma agrária, e dependeriam de definição judicial.

Alagoas

Em Alagoas, os sem terra fazem uma marcha até o Fórum de Atalaia (a 45 km de Maceió). A cidade foi escolhida por conta da violência fundiária. O MST lembra a morte de três líderes: Chico do Sindicato, morto em 1995, e José Elenilson, assassinado em 2000, e o diretor do MST Jaelson Melquíades, moorto e 2005.

Também como protesto, a BR-316 foi bloqueada. Os sem terra também seguirão em carreata para a Maceió, onde devem acampar na praça Sinimbu, que fica em frente à superintendência do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Alagoas.

Ceará

No Ceará, cerca de mil integrantes do MST ocuparam, nessa terça-feira, um terreno às margens do Canal do Trabalhador, em Pacajus (região metropolitana de Fortaleza). Segundo a direção do MST, a mobilização no Ceará é para exigir políticas públicas de combate aos efeitos da seca na região, além de investimentos estruturais em assentamentos e acampamentos, além da reforma agrária no Estado.

Os manifestantes ocuparam a sede do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra às Secas) para pedir uma reunião com representantes de órgãos federais e fazer reivindicações para amenizar os problemas causados pela estiagem prolongada.

Segundo o MST, está marcada audiência com o governador Cid Gomes (PSB) para essa quinta-feira (18), quando serão discutidas questões ligadas à estrutura de assentamentos e acampamentos e ações de combate aos efeitos da seca.

Pará

No Pará, jovens sem terra que participam do acampamento que lembra anualmente as vítimas do massacre fecharam a rodovia PA-150, na altura da Cursa do S, local onde aconteceu o Massacre de Eldorado dos Carajás.

O acampamento reúne jovens desde o dia 11 de abril e conta com a participação de integrantes do movimento de vários Estados. Em Belém, 400 trabalhadores rurais estão acampados na praça Mártires de Abril, que foi construída em homenagem às 19 vítimas do massacre.

Invasões na semana

Os sem terra realizaram também, esta semana, uma série de ocupações pelo país. Na manhã dessa terça-feira, cerca de 4.000 trabalhadores e trabalhadoras rurais ocuparam o Ministério da Fazenda, em Porto Alegre, onde prometem permanecem acampados por tempo indeterminado.

Eles reivindicam a criação de uma Política Nacional Camponesa, que apresente “alternativas aos limites enfrentados no campo para acesso ao conhecimento, à saúde, à moradia, ao saneamento básico, ao lazer e à cultura, assim como a garantia das condições técnicas para a produção de alimentos saudáveis.”

Em Eldorado dos Carajás, trabalhadores rurais iniciaram, como já é tradição, o acampamento pedagógico da juventude, que acontece até hoje, quando os jovens vão fechar a rodovia próxima ao acampamento. Também foram realizados protestos e ocupações, este mês, no Estados de Alagoas, Bahia, Paraíba e Rio de Janeiro.

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