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Alckmin diz que polícia deve prender "nas próximas horas" suspeitos de atear fogo em dentista

Camila Neuman

Do UOL, em São Paulo

26/04/2013 13h11Atualizada em 26/04/2013 15h29

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta sexta-feira (26) que a polícia deve prender "nas próximas horas" dois suspeitos de terem ateado fogo e matado a dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, 46, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, na quinta-feira (25). O corpo da dentista foi enterrado no cemitério da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), nesta sexta-feira (26).

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"Estamos diante de um caso bárbaro que envergonha a todos nós. Dois suspeitos já estão identificados e, por questão de horas, devem ser presos", disse Alckmin que participava, no Palácio dos Bandeirantes, da cerimônia de assinatura de uma parceria de combate ao crack entre a prefeitura e o governo do Estado.

Segundo a polícia, um dos suspeitos é Jonatas Cassiano Araújo, 21. Em depoimento, um menor disse que o Araújo lhe ligou confessando o homicídio.

O outro suspeito foi identificado como Roberto. A polícia faz buscas pela dupla. Alckmin afirmou que há quatro pessoas envolvidas no crime.

"Queremos encontrar todos para fechar esse caso da maneira mais rápida possível", disse.

Menor já depôs

O menor que confirmou a participação de Araújo foi pego em casa, também em São Bernardo do Campo, por volta das 2h30 da madrugada, após uma denúncia anônima feita à Polícia Militar. A corporação disse inicialmente em nota que ele próprio havia confessado o crime. No entanto, acabou liberado do 2º DP da cidade depois que seu envolvimento foi descartado.

Segundo o delegado seccional de São Bernardo, Waldomiro Bueno Filho, o menor contou que chegou a ser convidado para o roubo, mas não pôde ir - o motivo não foi esclarecido. Também afirmou que um dos suspeitos ligou para ele depois do assassinato contanto.

"O colega telefonou dizendo que tinha dado m.", afirmou o delegado.

A mãe de Araújo foi identificada pela PM na noite de quinta e reconheceu o filho em imagens de uma câmera de segurança mostradas na delegacia. Ela foi encontrada porque seu carro, um Audi preto, foi usado na ação pelos bandidos.

De acordo com as investigações, ao menos três homens participaram do crime. Segundo o delegado seccional de São Bernardo, Waldomiro Bueno Filho, a polícia acredita que um quarto bandido aguardava na frente do consultório, dentro de um Audi preto.

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Bueno desconfia que uma quadrilha especializada em assaltos a consultórios esteja agindo na região. "Temos investigações em andamento, já temos imagens de um dos bandidos e em pouco espaço de tempo vamos tirá-los de circulação", afirmou.

O assalto

Os criminosos invadiram a clínica odontológica a Cinthya e dois deles roubaram o cartão de crédito  da vítima para fazer um saque em um caixa eletrônico. Após constatarem que a dentista só tinha R$ 30 na conta, eles retornaram ao consultório, atearam fogo nela e fugiram.

Cinthya atendia uma paciente - cujo nome não foi divulgado - quando os criminosos apertaram a campainha. Um dos bandidos disse que precisava de atendimento odontológico e a dentista abriu o portão, momento em que mais dois criminosos invadiram a casa. A paciente ficou com os olhos vendados durante todo o assalto e teve a bolsa, o celular e dinheiro roubados.

Segundo o delegado seccional, a paciente - que não ficou ferida - conseguia ouvir a dentista gritando "não faz isso" e pedindo socorro. "Ela tentou apagar o fogo quando os bandidos fugiram, mas não foi possível. A dentista morreu em menos de três minutos."

A vizinha de Cinthya, Lindacim de Olivera, de 54 anos, sentiu o cheiro de queimado e ouviu os gritos da dentista. Foi ela quem chamou o Corpo de Bombeiros. "Ouvi alguém pedindo socorro e fui até o portão do consultório ver o que estava acontecendo", contou.

O consultório de Cinthya funcionava nos fundos de sua casa. Ela morava com os pais e uma irmã, que tem deficiência mental. O pai dela, Viriato Gomes de Souza, de 70 anos, afirmou que ela não costumava ficar sozinha em casa no horário do almoço.

"Ela ia buscar a irmã na escola, mas, como tinha uma paciente, eu fui com a minha mulher." Quando o pai chegou à rua, viu a movimentação na frente de casa. Foi avisado pelos vizinhos da morte da filha. "Quis entrar, tentei reanimá-la, mas já não dava para fazer nada", disse.

Emocionado, ele diz não saber o motivo de tamanha brutalidade. "Ela era uma pessoa boa, sem inimigos. Agora, a gente não sabe o que vai fazer da vida, se continuará morando lá. Espero que ninguém precise passar pela dor que estou passando", afirmou. (Com Estadão Conteúdo)

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