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Prefeitura do Rio retira moradores de rua da zona sul para coibir "delitos"

Alguns moradores de rua foram encaminhados para a van da prefeitura, para serem levados à delegacia e depois ao abrigo - Gabriel de Paiva/ Agência O Globo
Alguns moradores de rua foram encaminhados para a van da prefeitura, para serem levados à delegacia e depois ao abrigo Imagem: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo

Vitor Abdala

Da Agência Brasil, no Rio

18/02/2014 12h08

A Prefeitura do Rio de Janeiro iniciou nesta terça-feira (18) uma operação na zona sul e no centro da cidade, com o objetivo de coibir, segundo o secretário municipal de Governo, Rodrigo Bethlem, explicou, a “prática de pequenos delitos”. Nos bairros de Copacabana e Leme, na zona sul da cidade, os agentes da prefeitura e policiais militares tinham como foco principal o recolhimento de moradores de rua.

A "Agência Brasil" acompanhou a ação durante mais de uma hora, até as 10h de hoje, e verificou que alguns moradores foram encaminhados para a van da prefeitura, para serem levados à delegacia e depois ao abrigo, mesmo sem querer ajuda das autoridades.

“A ideia é dar um ordenamento maior na orla e nessas regiões, atender à população de rua que precisar de ajuda e a polícia, obviamente, enfrentar os pequenos delitos. Há casos em que a fronteira é muito pequena, como um dependente químico que está na rua e pode estar cometendo um delito. Isso é um caso de segurança pública", disse o secretário. "Se ele não cometeu um delito, obviamente é um caso de assistência social. Mas o morador de rua só é recolhido se ele quiser."

Duas irmãs que dormiam na areia da Praia de Copacabana disseram que não gostariam de voltar ao abrigo de onde tinham saído na segunda (17) e onde disseram ter sido maltratadas. Os agentes da prefeitura insistiram em levá-las à van e quando fracassaram, disseram que precisavam levá-las à delegacia para verificar se não tinham cometido nenhum crime.

Ainda diante da negativa das irmãs, um policial militar interveio dizendo que elas não precisariam ir à delegacia, mas que teriam que sair da praia, mesmo sendo um local público. Em uma praça no bairro do Leme, os agentes da prefeitura, acompanhados de guardas municipais e policiais militares, acordaram um casal que dormia no chão.


Os dois se recusaram a entrar na van e tiveram que ser conduzidos, pelo braço, pelos agentes. Um deles conseguiu escapar e os agentes o perseguiram pela orla. Questionado pela Agência Brasil  se os moradores de rua não estavam sendo coagidos ou sendo retirados à força pela prefeitura, o secretário alegou que muitos não tinham documentos e, por isso, precisavam levá-los à delegacia.

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“Eles não têm documento, então a polícia nos orientou a encaminhá-los à delegacia. Eles podem ter cometido algum crime e serem foragidos”, disse o secretário à reportagem.

No mesmo momento em que o casal de moradores de rua foi acordado pelos agentes, um recolhedor de apostas do jogo do bicho permaneceu sentado em um banco da praça, sem ser importunado ou sequer abordado por policiais e guardas municipais. Ele apenas recolheu e guardou seu material. Ninguém pediu para verificar seus documentos.

O jogo do bicho é proibido pelo artigo 58 da Lei de Contravenção Penal que prevê pena de quatro meses a um ano de prisão, além de multa. A Agência Brasil também questionou o secretário por que o contraventor não havia sido abordado pelos agentes. “Tinha jogo do bicho ali? Nem vi. Mas isso é caso de polícia. Nós não somos polícia”, disse Bethlem.

A reportagem questionou então, se o objetivo da operação não era coibir pequenos delitos e se não era justamente essa a razão de policiais militares participarem da operação. O secretário disse então que os policiais deveriam ter agido.

Segundo o secretário, a operação terá caráter permanente e será realizada dia e noite. São quatro equipes com profissionais como guardas municipais, policiais militares, assistentes sociais e agentes de ordem pública.

Cotidiano