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Homem que perdeu braço em acidente em São Paulo volta a pedalar

Do Estadão Conteúdo, em São Paulo

10/03/2014 11h51

"Uma tragédia ou uma história de superação?" Essa é a pergunta estampada no cartão pessoal de David Santos Souza, de 22 anos. No domingo (9), ele completou um ano sem o braço direito, decepado enquanto andava de bicicleta, rumo ao trabalho, na ciclofaixa da avenida Paulista, por um carro que tinha ao volante um homem embriagado. O condutor arremessou o membro em um rio.

Sem emprego desde então, Souza busca um novo sentido à vida. Entrou num curso de Administração do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), no qual se forma no fim deste semestre, mas sem grande entusiasmo. "Gosto mesmo é do que eu fazia antes, o rapel", afirma com tom nostálgico na voz.

Na manhã do atropelamento, ele seguia de bike para mais um dia de serviço, como limpador de janelas de arranha-céus. Fazia quase dois anos que se pendurava por cordas a dezenas de metros de altura, atividade que se tornou mais do que uma obrigação: um gosto. "Agora, já não posso voltar a esse tipo de atividade profissional."

Registrado, Souza tinha um salário de R$ 1.500, quase o dobro do que passou a receber com o auxílio mensal do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O rendimento atual é completado por um pequeno acréscimo do sindicato das empresas de limpeza de São Paulo, que também lhe fornece duas cestas básicas por mês.

Ciclista que teve o braço arrancado testa prótese mecânica

Alma de ciclista

Morador de Cidade Júlia, bairro da periferia paulistana no limite com Diadema, Souza não desistiu de pedalar, mesmo com o trauma de um ano atrás. Longe disso. Todos os dias, vence com a bicicleta os 21 km que separam sua pequena casa, onde mora com um amigo, da Escola Roberto Simonsen, do Senai, no Brás, centro. "Vou em 40 minutos."

Quem o vê pedalando por aí não deixa de se impressionar com sua habilidade. Anteontem, o Estado o acompanhou --de carro-- por cerca de uma hora nas ruas da zona sul. Subindo ladeiras, o jovem chegava a atingir 20 km por hora. Nas descidas, a velocidade subia a 55 km.

"Para andar de bike, o braço que perdi não faz falta, aprendi a me virar com o esquerdo mesmo e até virei canhoto." A prótese que ganhou de um empresário de Sorocaba só é usada quando ele não anda de bicicleta.

Depois do atropelamento e da internação no Hospital das Clínicas, além de se matricular no ensino técnico, o rapaz começou a aprender a lutar muay thai. Improvisou um saco de pancadas na garagem de casa. Veste a faixa de proteção na mão e coloca a luva sem a ajuda de ninguém.

O passo mais decisivo no sentido de dar um rumo à sua nova vida, porém, é a aposta em uma carreira de palestrante. É por isso que imprimiu seus cartões. "No ano passado, fiz algumas palestras em empresas e escolas. Quero intensificar isso neste ano." E por que decidiu trilhar o caminho motivacional? "Por problemas pequenos, muitas pessoas querem jogar tudo para o alto, parar de trabalhar, de estudar. Elas se esquecem de que têm uma vida grandiosa pela frente."

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