PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Defesa de estudante que atropelou ciclista considera "tropeço ético" postura de advogado da vítima

UOL Notícias
Imagem: UOL Notícias

Gabriela Fujita

Do UOL, em São Paulo

26/03/2013 21h00

O advogado Ademar Gomes, representante da família do ciclista David Santos Sousa, 21, que perdeu o braço ao ser atropelado por Alex Siwek na avenida Paulista, em São Paulo, acusou o motorista, em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (26), de ser “viciado” em drogas e insinuou que o estudante de psicologia pudesse estar sob efeito de entorpecentes no momento do acidente. Para o defensor de Siwek, a atitude de Gomes foi um “tropeço ético” e cada um deve se limitar a defender os interesses de seu cliente.

Em seu escritório, pouco antes da primeira entrevista dada por David após receber alta do Hospital das Clínicas, onde esteve internado desde o acidente, o advogado falava sobre o andamento do processo quando passou a criticar Siwek. “Ele já foi detido com droga, nós temos essa comprovação, ele foi detido comprando droga e foi conduzido ao distrito policial, mas não foi indiciado porque, como viciado, infelizmente não tinha o que fazer”, disse Gomes. “Essa pessoa não é capaz de fazer bem ao ser humano, seus pais não lhe deram essa educação. Ele acha que porque é filho de rico pode fazer o que bem entende.” O advogado chegou a dizer que “tem pena” do pai do atropelador, que “poderá ser um bandido amanhã ou depois”.

Na última quinta-feira (22), Siwek deixou a Penitenciária de Tremembé, no interior paulista, depois de conseguir um habeas corpus na Justiça. A carteira de motorista do estudante de psicologia está suspensa até o desfecho do julgamento do caso e ele está proibido de sair de São Paulo.

O advogado da família de David informou que irá pedir indenização por danos morais e materiais, mas disse que ainda não estudou o valor. Na avaliação de Ademar Gomes, o caso não é de lesão corporal gravíssima, como avaliou a Justiça, e sim de tentativa de homicídio com dolo eventual (quando há intenção de matar). Ainda não foi decidido em que tipo de crime Alex Siwek será enquadrado, e isso poderá interferir na punição a que ele estará sujeito e se será ou não levado a júri popular.

Outro lado

O advogado Cássio Paoletti, que defende o estudante Alex Siwek, considerou um “tropeço ético” as declarações feitas por Ademar Gomes. “Cada advogado deve saber os limites que a ética o impõe, cada advogado deve se limitar a defender os interesses de seu cliente no local adequado para isso, que é a Justiça”, criticou Paoletti.

Paoletti disse querer evitar ficar discutindo pela imprensa com o outro advogado, mas para ele, “dizer que alguém é viciado ou não tem respeito pela pessoa humana, que nem mesmo um psiquiatra ou um psicólogo arriscariam comentar, é no mínimo um tropeço ético.”

Sobre a afirmação de que o estudante de psicologia é usuário de drogas, o advogado disse desconhecer o assunto e que “isso não diz respeito aos fatos” [referindo-se ao atropelamento de David]. “Se ele praticou qualquer coisa além do que sabemos, já deve ter respondido por isso ou, se não respondeu, é porque não deveria ter respondido.”

 

O acidente

David Santos Sousa, 21, ia para o trabalho de bicicleta, no início da manhã de domingo, dia 10 de março, quando foi atropelado na avenida Paulista, região central de São Paulo. O jovem teve o braço direito arrancado na batida e o motorista, o estudante Alex Siwek, 21, fugiu sem prestar socorro, levando preso ao carro o membro decepado da vítima, segundo informações da Polícia Militar. Siwek foi preso em flagrante após se entregar à polícia e disse que jogou o braço do ciclista em um córrego na zona sul da capital paulista.

Segundo laudo do IML (Instituto Médico Legal), Siwek apresentava sinais de embriaguez no momento do acidente, mas não estava embriagado. O estudante se negou a fazer a coleta de amostras para os exames de sangue e urina.

Após passar por cirurgias no Hospital das Clínicas, onde foi internado, David Santos Sousa recebeu alta no último sábado (23). O rapaz vai ganhar de uma empresa em Sorocaba, no interior de São Paulo, uma prótese mecânica.
 

Cotidiano