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Edir Macedo inaugura megatemplo em SP com "recado" para Dilma e Alckmin

Do UOL, em São Paulo

31/07/2014 22h14

O líder da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), o bispo Edir Macedo, foi o último a subir no altar na noite na inauguração do Templo de Salomão, nesta quinta-feira (31) em São Paulo.

Em frente à presidente Dilma Rousseff (PT) e ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), o bispo deu um recado aos governantes ao afirmar que "só orando" é possível ter acesso à segurança e à saúde.

Antes de Macedo, o bispo Rogério Formigoni também cutucou os políticos presentes ao falar sobre o combate às drogas.

Formigoni, que se declarou um ex-viciado em crack e responsável por cultos em que combate o vício, disse que o governo "investe tanto em tratamentos que não dão certo", enquanto a religião oferece a cura.

Igreja chegou a armar púlpito para Dilma, que saiu sem falar

Apesar de Macedo anunciar que Dilma faria um pronunciamento, e da instalação de um púlpito em frente ao templo a pedido do Planalto, a presidente não quis falar com a imprensa.

Enquanto estava fora do palco, Macedo acompanhou o início da cerimônia sentado na primeira fila, ao lado da presidente.

Além da presidente e do governador, também estavam presentes o vice Michel Temer (PMDB), o prefeito Fernando Haddad (PT), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), entre outras autoridades.

Artistas da Rede Record, como os apresentadores Brito Júnior e Ticiane Pinheiro, também estavam no salão com capacidade para 10 mil pessoas.

Templo de Salomão em números

  • 35 mil metros quadrados de terreno

    equivalente a 5 campos de futebol e a 1/4 do Parque da Independência (SP)

  • 100 mil metros quadrados de obra

    cerca de 1/4 do maior shopping do país e do tamanho aproximado do Maracanã

  • 11

    pavimentos

  • 4

    anos para concluir a construção

  • 2.000 toneladas

    de aço utilizadas na obra

  • 145 mil

    sacos de cimentos usados para a construção

  • 54 metros de altura

    maior do que o Cristo Redentor (RJ)

  • 40 mil metros quadrados

    de pedras usadas na construção e decoração vieram de Hebron, em Israel

  • 10 mil

    lâmpadas de LED no salão principal

  • 42

    altofalantes instalados no teto do salão principal

  • 12

    oliveiras importadas do Uruguai, para a reprodução do Monte das Oliveiras

  • 60

    apartamentos disponíveis para pastores;um deles para o bispo Edir Macedo

  • 2.000 vagas de estacionamento

    cerca de 1/3 das vagas do estacionamento de um grande shopping

  • 10 mil pessoas sentadas

    cerca de 1/5 da capacidade da Arena Corinthians na configuração após a Copa

  • R$ 680 milhões

    6 vezes o valor de um hospital e 378 vezes o valor de uma escola infantil

  • R$ 35 milhões

    de economia em impostos por usar alvará de reforma (e não de construção)

  • R$ 2, 4 millhões

    de impostos pagos para a importação de pedras, após isenção ser negada

  • R$ 0

    valor do IPTU/ano, que não será pago por tratar-se de instituição religiosa

Líderes da IURD utilizaram indumentária judaica na inauguração

A avenida Celso Garcia, endereço do novo complexo religioso, teve uma das faixas bloqueadas e cobertas por um tapete vermelho para a passagem da arca da aliança, um símbolo do antigo testamento, carregada por seis homens vestidos com togas.

Vídeos com a história bíblica do povo judeu, da história de Jesus, do protestantismo e da fundação da IURD em 1977, por Macedo, foram projetados na fachada do prédio.

Macedo e os outros pastores que conduziram a cerimônia subiram ao altar cobertos por indumentárias judaicas: o talit, uma espécie de xale sagrado, e o quipá, um pequeno chapéu, sobre a cabeça.

Ambos os adereços são comuns à fé judaica, assim como os candelabros que adornam as paredes internas do templo. Cantores, uma orquestra e um coral africano também participaram da cerimônia.

Fiéis da Universal atrapalhavam passagem de curiosos

Um paredão com centenas de fiéis da Universal, todos de mãos dadas e camisetas brancas com a estampa do templo em dourado, controlava o acesso de pedestres e de carros nas ruas no entorno. 

Nesta quinta, fiéis foram escalados para "deixar a chegada das autoridades mais bonita", segundo relatos deles próprios.

Todos ficavam bem encostados na guia da avenida Celso Garcia e de ruas transversais, impedindo a visão de milhares de curiosos que tentavam fazer uma foto do templo ou ver famosos chegando para a cerimônia.

O objetivo era deixar a rua livre para a chegada dos convidados ilustres, muitos deles em carros oficiais ou deixados por motoristas particulares bem na entrada da igreja. O trânsito ficou caótico em toda a região da igreja por quase quatro horas, das 16 às 20h.

Agentes da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) também ficaram indignados com o controle que os integrantes da igreja tentavam fazer das pessoas e dos carros.

Mesmo diante da reclamação de pedestres, de jornalistas, dos agentes da CET e até de soldados da Polícia Militar, os fiéis permaneciam mudos e de mãos dadas, cumprindo a função de bloquear o trânsito de não convidados nos arredores.

"Eu controlo o trânsito, sim", respondeu à reportagem um fiel que impedia funcionários que saíam do trabalho de atravessar a faixa de pedestre da avenida Celso Garcia, mesmo com o sinal verde para a travessia.

"Nós estamos trabalhando para Deus, não é para a igreja", respondeu outra senhora, com a camiseta do templo, que não deixava os carros passarem na rua João Monteiro, na lateral do megatemplo. (com Estadão Conteúdo)