Água da zona leste tem mais ferro e alumínio; da zona sul, mais sódio

Fabiana Maranhão

Do UOL, em São Paulo

Água em SP é potável, mas qualidade é diferente em cada região

A análise da qualidade da água encomendada pelo UOL mostra que a água fornecida aos moradores da zona leste de São Paulo tem mais ferro e alumínio em relação às outras regiões da capital paulista. O estudo confirma ainda que a água que chega às casas dos paulistanos é potável.

A reportagem do UOL acompanhou em 15 de agosto deste ano uma equipe do laboratório Controle Analítico, que coletou uma amostra de água em cada uma das regiões da capital: área central e zonas leste, oeste, sul e norte. A empresa de análise química privada trabalha em parceria com universidades como a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e a USP (Universidade de São Paulo).

A água recolhida em uma casa na Penha, na zona leste, cujo abastecimento é feito pelo Sistema Alto Tietê --o 3º maior da Grande São Paulo--, teve, além de um maior índice de ferro e alumínio, uma quantidade maior de sulfatos.

O ferro é um elemento químico presente naturalmente na água. O nível do minério aumenta por causa da erosão do solo e despejo de resíduos por indústrias. O ferro não é tóxico, mas causa mudança de sabor e de cor da água, provocando manchas em roupas e utensílios sanitários  (saiba mais na tabela abaixo).

Já a água coletada no Capão Redondo, na zona sul, região abastecida pelo sistema Guarapiranga--o 2º maior da região metropolitana--, apresentou maior índice de cloreto, sódio, sólidos dissolvidos, nitrogênio nitrato e sulfeto de hidrogênio em relação às outras.

Reservatórios de água na Grande SP

Arte/UOL

Confira entre quais reservatórios se divide o abastecimento de água na Grande São Paulo

Raio-x dos sistemas

"Desde que cada amostra esteja dentro do padrão de potabilidade, não há problema nenhum nessa variação dos resultados", explica o engenheiro químico do laboratório Bruno Ansara Abreu.

Em nota, a Sabesp afirma que a empresa "cumpre todos os protocolos e usa a tecnologia adequada para fazer o tratamento". Ainda segundo a companhia, "a variação de alguns parâmetros da análise da água é normal e, desde que estejam abaixo dos limites impostos pelo Ministério da Saúde, não trazem risco à saúde da população". 

Sistema Cantareira

A água do Bom Retiro, no centro, teve maior taxa de fluoretos e bário; a da Freguesia do Ó, na zona norte, cloro residual e também bário; e da Lapa, na zona oeste, maior pH. Essas três regiões são abastecidas pelo sistema Cantareira, que está em seu menor nível. Na última sexta-feira (26), chegou a 7,2% de sua capacidade.

Por causa da estiagem, a Sabesp passou a utilizar em maio deste ano 182,5 bilhões de litros do volume morto do sistema Cantareira --água que fica no fundo das represas--como fonte de abastecimento para 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Especialistas alertam que essa reserva técnica pode trazer riscos à saúde por causa dos metais pesados que podem estar acumulados no fundo dos reservatórios. O governo do Estado garante que a qualidade da água do volume morto é a mesma da que era usada antes.

Elementos encontrados na água
  • Alumínio
    Elemento natural em águas superficiais e subterrâneas. É usado no tratamento da água, adicionado em alimentos, na fabricação de latas, telhas, papel alumínio e na indústria farmacêutica. Entra no organismo humano por meio da água e dos alimentos. Ingerido em excesso, pode afetar o sistema nervoso e os ossos.
  • Bário
    Elemento químico presente naturalmente na água. Compostos do bário são usados na indústria da borracha, têxtil, cerâmica e farmacêutica. Em grande quantidade, afeta o coração, o sistema nervoso e eleva a pressão arterial.
  • Cloreto/cloro
    O cloreto é um composto formado por cloro. É encontrado nas águas superficiais como consequência do despejo de esgoto sanitário e de resíduos de indústrias. O uso do cloro no tratamento da água eleva o nível de cloreto. Em altos teores, contribui para a corrosão dos sistemas de distribuição, além de deixar a água com sabor salgado
  • Ferro
    Elemento químico presente naturalmente na água. O nível do minério aumenta por causa da erosão do solo e despejo de resíduos por indústrias. O ferro não é tóxico, mas causa mudança de sabor e de cor da água, provocando manchas em roupas e utensílios sanitários.
  • Fluoreto
    Derivado do flúor, é normalmente encontrado na água e nos alimentos, mas em pequenas quantidades. Indústrias como as de vidro e de fios de eletricidade despejam fluoreto nas águas. É adicionado à água pelas empresas de saneamento para prevenir a cárie dentária.
  • Nitrogênio nitrato
    Esgotos sanitários, resíduos industriais e escoamento da chuva por solos fertilizados são as principais fontes de nitrogênio na água. Em grande quantidade, estimula o crescimento excessivo de algas, poluindo a água. O nitrogênio nitrato é tóxico e causa metahemoglobinemia, doença letal em crianças.
  • pH
    Significa 'potencial hidrogeniônico" e mede se a água é ácida, neutra ou alcalina. Varia de zero a 14. Se o valor for entre zero e sete, a água é considerada ácida; entre sete e 14, alcalina; e sete, neutra.
  • Sódio
    Toda água natural possui sódio, assim como plantas e animais. O aumento do nível de sódio na água pode ocorrer por causa do despejo de esgoto e de resíduos industriais. Grande quantidade de sódio muda o gosto da água.
  • Sólidos dissolvidos
    Correspondem a todo resíduo que ficou na água mesmo depois do processo de tratamento. Podem causar danos aos peixes e plantas aquáticas.
  • Sulfato
    Composto presente na água como resultado da dissolução de solos e rochas. Esgoto doméstico e resíduo industrial depositados na água elevam o nível de sulfato. O uso de coagulantes no processo de tratamento também aumenta a taxa de sulfato na água. Presente em grande quantidade, tem efeito laxativo.
  • Sulfeto de hidrogênio
    Gás tóxico que causa cheiro forte na água quando ultrapassa o limite estabelecido pela legislação brasileira. É encontrado em águas superficiais que receberam esgoto doméstico e resíduo industrial e naturalmente em águas subterrâneas.
Fonte: Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo)

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