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"A imprensa criou um mito baseado em minha beleza", diz jovem presa no PR

Fabiana Sporh Godk, 27, que ficou conhecida no Paraná como a "Ladra Gata" - Reprodução/Facebook
Fabiana Sporh Godk, 27, que ficou conhecida no Paraná como a "Ladra Gata" Imagem: Reprodução/Facebook

Carlos Ohara

Do UOL, em Apucarana

26/11/2014 14h04

Bacharel em Direito, loira, bonita, bem articulada, simpática e com uma extensa lista de antecedentes criminais, Fabiana Sporh Godk, 27, que ficou conhecida no Paraná como a "Ladra Gata" e "Musa do Test Drive", foi presa no interior de uma lanchonete em São João do Ivaí, município de 20 mil habitantes a 404 km de Curitiba, na tarde de terça-feira (25).

Condenada por posse ilegal de armas e estelionato, Fabiana tinha contra ela um mandado de prisão expedido pela Vara de Execuções Penais de Curitiba. Ela cumpria a pena de 4 anos e 8 meses no regime aberto pelos dois crimes.

Em outubro, no entanto, Fabiana foi acusada de um furto em uma ótica na capital e deixou de comparecer ao fórum, onde se apresentava regularmente, sendo considerada foragida. A Justiça decidiu pela regressão do regime prisional, determinando que a pena seja cumprida no regime semiaberto.

"A imprensa criou um mito baseado em minha beleza e muitos querem aproveitar esta fama para me imputar crimes. Meu nome gera manchetes. Não sou eu esse monstro que divulgam”, disse ela em entrevista exclusiva ao UOL na delegacia de Apucarana onde está detida, aguardando remoção para a capital, onde deve ser apresentada à imprensa na tarde de quinta-feira.

“Me formei no ano passado com dinheiro obtido através da venda de tapetes e financiei o curso de Direito pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Há um grande equívoco nos crimes que me acusam. Estava estudando para conseguir a aprovação na OAB e não cometi nenhum delito. Quero apenas cuidar dos meus filhos agora. Isso tudo é um grande equívoco", declarou.

Apontada por policiais como uma bem sucedida estelionatária, pela reunião de seus atributos físicos e intelectuais utilizados em golpes, Fabiana teve sua primeira passagem criminal aos 20 anos por posse ilegal de armas.

Detida em outras ocasiões, ela se tornou famosa no ano passado quando entrou em uma concessionária da marca Hyundai, pediu para fazer um test-drive em um modelo HB20 e roubou o carro. Segundo a polícia, ela queria as peças do carro levado para colocar em um veículo seu de mesmo modelo que ficou danificado após um acidente. Sem flagrante, a mulher foi indiciada e liberada. O caso tramita na justiça.

Fabiana Sporh God - Divulgação - Divulgação
Fabiana se tornou famosa após ser acusada de roubar um carro ao fazer um test drive
Imagem: Divulgação

Vida de Crimes

A "Ladra Gata" paranaense é presença frequente nas manchetes policiais. Aos 20 anos, em 2007, ele teve sua primeira passagem por uma delegacia. Em sua casa foram encontradas armas utilizadas em um latrocínio (roubo seguido de morte). Na época, o delegado Rubens Recalcatti disse que a mulher fazia a locação de armas para bandidos praticarem crimes.

Em 2009, Fabiana foi novamente presa. Após mandar instalar R$ 7.000 em equipamentos de som e rodas em seu veículo, a mulher apresentou um cartão de crédito que teve o gasto não autorizado. Tranquila, Fabiana sugeriu que um vendedor a acompanhasse até um banco. Já no interior da agência, a mulher disse que havia esquecido sua identidade no carro e pediu para o vendedor aguardar na fila, enquanto buscava o documento e desapareceu. Presa dias depois pela PM, ela negou o crime e, sem flagrante, foi colocada em liberdade.

Além do roubo na Hyundai em 2013, em outubro deste ano, Fabiana foi até uma ótica de Curitiba e encomendou um óculos de grau para sua mãe, fazendo o pagamento de R$ 50 como sinal. Quando o objeto ficou pronto, ela voltou ao local, conferiu os óculos e disse que a carteira estava no carro, pedindo que a vendedora a acompanhasse até ao veículo pois estaria apressada. Fabiana entrou no carro, deu partida e desapareceu do local.

Mãe e grávida

A prisão de Fabiana na terça-feira foi comandada pelo delegado-chefe da 17ª Sub-Divisão Policial de Apucarana, José Aparecido Jacovós. A polícia estava monitorando os passos da mulher através do registro do celular, mas ela se deslocava constantemente. Em São João do Ivaí, porém, Fabiana permaneceu durante três dias.

Ela foi encontrada em uma lanchonete com uma criança no colo. Inicialmente, Fabiana negou sua verdadeira identidade. Detida, ela negou os crimes e disse que além do filho de seis meses que carregava, também estaria grávida de outra criança.

Segundo o delegado Jacovós, Fabiana apresenta características frequentes de grandes estelionatários. "Sabe conversar, inventa situações, demonstra tranquilidade e, além disso, por causa do curso, tem noções do Código Penal. É um perigo. Surpreende não ter prisão preventiva decretada ainda", disse ele.

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