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Sabesp avalia rodízio no abastecimento de água em São Paulo

Wellington Ramalhoso*

Do UOL, em São Paulo

14/01/2015 18h00Atualizada em 14/01/2015 20h26

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, admitiu nesta quarta-feira (14) que a empresa pode implantar um sistema de rodízio no abastecimento de água neste ano caso a crise hídrica se agrave na Grande São Paulo.

"Pode chegar [a ter rodízio]. Torcemos [para] que não", disse. "Ainda não temos um ponto que acenderá a luz vermelha", acrescentou o presidente da Sabesp sobre a eventual necessidade de se adotar um rodízio de consumo. Segundo ele, "não haverá surpresas sobre isso", e a empresa vai comunicar a população se esse momento chegar. 

"Se continuar essa situação muito ruim, não quero iludir, você tem que ir fechando a torneira do que sai. Isso significa maiores restrições de consumo à população", afirmou, ponderando que torce para que os últimos meses da temporada de chuvas elevem o nível das represas.  

Em um eventual rodízio, o abastecimento seria interrompido por determinado período em certas áreas, com aviso prévio da responsável pelo abastecimento.

O rodízio seria uma medida extrema, conforme o presidente. Antes disso, a Sabesp aumentará o tempo em que a pressão nas tubulações é mais fraca. A medida está em vigor desde 2014 e será ampliada neste ano, disse o presidente nesta quarta. 

O objetivo, segundo Kelman, é reduzir o desperdício de água no sistema, mas afeta o abastecimento em áreas da Grande São Paulo, sobretudo as mais altas.

"Há gestão da pressão em toda a região metropolitana. Onde está mais 'apertada' é na zona norte, que é a região do [Sistema] Cantareira", afirmou o diretor Metropolitano da Sabesp, Paulo Massato.

Nesta quarta, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que a ANA é quem adotou um racionamento em São Paulo, que não está sendo repassado ao consumidor. O tucano fez uma referência à determinação de 2014 da Agência Nacional de Águas, vinculada ao governo federal, de reduzir a captação de água do sistema Cantareira -- a medida foi endossada pelo DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), vinculada ao governo estadual.

Além de reduzir mais a pressão do sistema de abastecimento, a Sabesp quer aplicar multa aos clientes que aumentam o consumo. O governo estadual conseguiu derrubar nesta quarta-feira (14) a liminar que suspendia a sobretaxa.

Os clientes que não estão economizando representam  20% do total. 

Outros sistemas

O remanejamento de água de outros sistemas é outra medida adotada em 2014 que pode ser ampliada em 2015. Os bairros que deixam de ser atendidos pelo Cantareira pode ser ampliado.

"Estamos replanejando essas intervenções", afirmou Massato. Porém, a Sabesp não vai mais recorrer ao sistema Alto Tietê, segundo o diretor, pois o reservatório também passa por uma grave crise.

* Com informações do Valor Econômico

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