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Manifestantes cumprem reintegração de posse e deixam parque Augusta, em SP

Wellington Ramalhoso

Do UOL, em São Paulo

04/03/2015 07h37Atualizada em 04/03/2015 13h19

A Justiça e a Polícia Militar concluíram por volta das 9h desta quarta-feira (4) a reintegração de posse do terreno do parque Augusta, na região central de São Paulo.

A área, de 25 mil metros quadrados, estava aberta e ocupada por ativistas desde 17 de janeiro. A reintegração atende a uma ação judicial movida pelas construtoras Cyrela e Setin, donas do imóvel.

A maioria dos cerca de 300 ativistas que passaram a noite no terreno saiu sem resistência. Mas um grupo de seis pessoas chegou a subir em uma árvore do parque para resistir à reintegração.

Após uma assembleia, todos os manifestantes deixaram o local e deram início a uma passeata até a prefeitura. A PM calculou que cerca de 300 pessoas participam da caminhada.

Os vereadores Toninho Vespoli (PSOL) e Gilberto Natalini (PV) participaram da negociação com os manifestantes para que eles deixassem o local.

Cerca de cem PMs participaram da reintegração. Alguns manifestantes reclamaram que os policiais chegaram a bater neles com cassetetes na porta do parque. Usando escudos, a Tropa de Choque da PM se dirigiu para a entrada do parque pela calçada da rua Marquês de Paranaguá. "Eu estava parada perto da porta, e já vieram [os policias] para cima, batendo. Não tenho arma nenhuma", conta Isabela Alzira, que sofreu ferimentos na perna direita.

"Não presenciei agressão a manifestantes. Pelo contrário, fomos [policiais] agredidos com abacates e mastros de bandeiras", disse o major da PM Luiz Augusto Pacheco Ambar, responsável pela reintegração.

Houve um princípio de tumulto e a maior parte dos manifestantes, que já estava do lado de fora do terreno, passou a gritar: "Sem violência! Sem violência!". Por conta da reintegração, as ruas Marquês de Paranaguá e Caio Prado foram fechadas pela polícia.

Em faixas penduradas pelos ativistas, era possível ler: "Por um Parque Augusta 100% público, 0% prédio". O grupo também cantou músicas de protesto, como a paródia "Funk da especulação". "Eu vou molhar a sua mão/Vou te botar lá de patrão/Vou bancar sua eleição/Então, aprova, aprova, aprova a construção", diz a letra.

"A maior violência que a Polícia Militar poderia cometer é essa: fechar os portões do parque", afirmou o músico Daniel Scandurra, 26, integrante do Organismo Parque Augusta.

Ativistas protestam contra reintegração no parque Augusta

Entenda a polêmica

A prefeitura criou o parque por decreto em dezembro de 2013. Na mesma época, as construtoras fecharam os acessos ao terreno.

A área possui árvores e edificações remanescentes do antigo colégio Des Oiseaux tombadas desde 2004 pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo). O bosque do parque Augusta é considerado um oásis de mata atlântica no centro da capital paulista.

O mesmo Conpresp aprovou, no fim de janeiro, o projeto das construtoras de erguer três prédios de uso misto e implantar o parque, que teria administração privada. As torres ocupariam um terço do terreno.

Moradores da região e ativistas reivindicam, porém, a implantação do parque na totalidade da área e se opõem à construção de prédios. Nos 45 dias em que o terreno ficou aberto, os ativistas desenvolveram uma programação de atividades no parque.

A construção dos prédios ainda depende do aval de órgãos da prefeitura. No dia 13 de fevereiro, o Ministério Público Estadual e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciaram que o dinheiro repatriado de bancos estrangeiros que movimentaram recursos do ex-prefeito e deputado federal Paulo Maluf (PP) poderá ser usado na desapropriação do terreno a fim de implantar o parque, com administração pública e sem a construção de torres. (Com Estadão Conteúdo)

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