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Cotidiano

PM do Rio abre inquérito para apurar envolvimento do Bope no caso Amarildo

Do UOL, no Rio

23/06/2015 10h31

O comando-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro determinou nesta terça-feira (23) a abertura de um IPM (Inquérito Policial Militar) para que a Corregedoria investigue um suposto envolvimento do Bope (Batalhão de Operações Especiais) no caso do pedreiro Amarildo de Souza, que desapareceu após ser abordado por PMs da UPP Rocinha, favela da zona sul da cidade, há dois anos.

Na segunda-feira (22), imagens de câmeras de segurança obtidas pelo Ministério Público e divulgadas pelo "Jornal Nacional", da "TV Globo", mostraram que quatro caminhonetes do Bope, a tropa de elite da PM, foram até a comunidade na noite do dia 14 de julho de 2013, última vez em que a vítima foi vista.

Ao deixar a sede da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), no alto da favela, um dos carros transportava volume suspeito, que, segundo análise pericial do MP, pode ser o corpo de Amarildo. Além disso, o dispositivo de geolocalização, que possibilita o monitoramento do trajeto percorrido, foi desligado em circunstâncias ainda não esclarecidas. O equipamento ficou quase uma hora sem funcionar.

A promotoria do Ministério Público informou que continuará trabalhando no sentido de aprimorar a qualidade dessas imagens, que devem ser anexadas ao processo em curso na Justiça. De acordo com a denúncia do MP, Amarildo foi torturado e morto dentro da base da UPP Rocinha.

No total, 25 policiais militares foram denunciados pelos crimes de sequestro, homicídio e ocultação de cadáver. Entre eles está o ex-comandante da UPP, major Edson Santos, preso atualmente no BEP (Batalhão Especial Prisional).

A reportagem do UOL solicitou à assessoria da Polícia Militar uma entrevista com o comandante do Bope, tenente-coronel Carlos Eduardo Sarmento da Costa, porém não houve retorno até a publicação deste texto.

Presença do Bope já era conhecida

Os investigadores já tinham conhecimento da presença de policiais do Bope na Rocinha na noite em que Amarildo sumiu. O então comandante da UPP, major Edson Santos, chegou a declarar à Divisão de Homicídios da Polícia Civil que havia solicitado o reforço da tropa de elite da PM --do qual foi membro-- por medo de um ataque de traficantes.

O Ministério Público solicitou então as informações dos aparelhos de GPS instalados nas quatro caminhonetes do Bope que estiveram na comunidade. Um dos equipamentos não registrou o percurso entre a saída da base da UPP (possível cenário da tortura e morte de Amarildo) e o local de destino. Foram 58 minutos de deslocamentos com o GPS desligado.

Além disso, essa mesma caminhonete desceu a favela com um volume suspeito na carroceria. Para o MP, o objeto possui o tamanho de um corpo humano e estava aparentemente enrolado em um saco plástico preto. No entanto, ainda não há qualquer confirmação de que seja, de fato, um cadáver. A suspeita decorre do fato de o corpo da vítima nunca ter sido encontrado. Por isso, o MP quer descobrir o que havia na caminhonete. As imagens não são nítidas.

Uma segunda câmera registrou a passagem do comboio em um trecho mais à frente, no trajeto de saída da UPP. Nesse momento, já não havia mais policiais na caçamba. Os veículos ainda pararam em um ponto cego (não alcançado pelo circuito de segurança) durante cerca de dois minutos.

Uma das hipóteses investigadas pelo Ministério Público é que o volume tenha sido descartado ali. Outra possibilidade é que ele tenha sido rearranjado na caçamba, ficando num lugar menos visível --sob um banco que existe na carroceria, por exemplo.

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