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Justiça nega exumação do corpo de motorista de JK; Câmara de SP recorrerá

Luiz Carlos Barreto
Imagem: Luiz Carlos Barreto

Carlos Eduardo Cherem

Do UOL, em Belo Horizonte

30/06/2015 20h15

A Justiça de Minas Gerais negou solicitação da Câmara Municipal de São Paulo, em ação ajuizada a pedido da extinta Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, para autorizar a exumação do corpo do motorista do ex-presidente Juscelino Kubitschek, Geraldo Ribeiro.

Ex-presidente da Comissão Vladimir Herzog, o vereador Gilberto Natalini (PV) afirmou nesta terça-feira (30) que vai recorrer da decisão.

“Vamos recorrer. Nesta quarta-feira (1º), vamos acionar a procuradoria da Câmara para recorrer da decisão em instância superior. Temos convicção da necessidade de esclarecer a morte do ex-presidente. Não aceitamos a versão oficial e as conclusões da Comissão Nacional da Verdade sobre a morte de JK”, afirmou Natalini.

A versão oficial e as conclusões da Comissão Nacional da Verdade são que a morte de JK foi um acidente automobilístico, mas não é aceita pelo parlamentar. Por essa versão, um ônibus teria fechado o Opala do ex-presidente no quilômetro 165 da rodovia Presidente Dutra, quando ele viajava do Rio de Janeiro para São Paulo, em 1976.

Natalini afirma, no entanto, que um passageiro que estava no ônibus depôs para a Comissão da Verdade Vladmir Herzog e contou a versão de que o veículo dirigido por Geraldo Ribeiro teria feito uma ultrapassagem perigosa pela pista da direita, entre o ônibus e a carreta, com que colidiu, atravessando uma grade de proteção.

“O motorista era experiente, será que ele faria uma manobra arriscada como essa? A suspeita é que ele tenha sofrido um atentado antes da ultrapassagem do ônibus”, afirma o vereador.

Natalini explica que um exame pericial, com as tecnologias atuais, poderia aclarar incongruências nas investigações sobre as reais causas das mortes.

Estas poderiam não ter sido provocadas por um acidente, conforme a versão oficial, mas pelo homicídio do motorista do veículo que transportava o político, supostamente atingido por disparo de arma de fogo. O objeto da perícia, segundo a Câmara de Vereadores paulistana, seria averiguar a existência ou não de vestígio de projétil no crânio do motorista.

Juiz diz que exumação causaria "sofrimento da família"

Em sua decisão, o juiz da 4ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal, Rinaldo Kennedy, considerou que houve investigações de diversas instituições sobre o caso e concluiu que não havia razões para atender ao pedido.

“Se os fatos alegados pela requerente estivessem de acordo com a realidade, estaríamos diante da maior conspiração existente na história deste país para matar um presidente da República e seu motorista e para acobertar os autores do crime”, afirmou Kennedy.

Segundo o magistrado, as conclusões de toda a investigação oficial que cercou o caso JK até então, bem como o relatório final da Comissão Nacional da Verdade foram suficientes para esclarecer o episódio da morte do ex-presidente. O juiz ainda considerou que não havia fato novo que justificasse outra perícia nos restos mortais do motorista de JK.

O magistrado ainda considerou que uma autorização para a exumação só causaria mais dor e sofrimento para a família do motorista que, inclusive, se manifestou contrária ao pedido.

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