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Cotidiano

Padre excomungado em Bauru (SP) inaugura sede de nova denominação religiosa

Wagner Carvalho

Colaboração para o UOL, em Bauru (SP)

13/10/2015 14h27

Com uma mesa montada utilizando dois cavaletes de construção e uma porta retirada da reforma pela qual o prédio ainda passa, o padre excomungado pela Igreja Católica Roberto Francisco Daniel, o padre Beto, realizou neste domingo (11) a primeira missa da denominação religiosa Humanidade Livre --criada por ele-- em sua sede própria, em Bauru (distante 347 km de São Paulo).

Depois de atuar por 14 anos na Igreja Católica e ser excomungado por ela, após questionar seus dogmas e falar publicamente na aceitação de assuntos como bissexualidade e homossexualidade, além de se colocar a favor da segunda união entre casais, o religioso concretizou a criação da sua própria igreja.

Após ter a sua excomunhão oficializada pela Santa Sé, em novembro de 2014, o padre Beto começou a se organizar e, em janeiro de 2015, realizou sua primeira celebração eucarística, o que chamou de “missa alternativa”, em um local improvisado, realizada numa quadra esportiva, espaço alugado de um clube de serviços de serviços em Bauru.

A sede da "Humanidade Livre" ainda passa por adaptações e reformas, mas mesmo assim, as celebrações serão realizadas todos os domingos.

“A Humanidade Livre nasce sem dogmas, preceitos, doutrinas ou regras morais e será sempre assim. É apenas um lugar onde todo ser humano possa se encontrar e seguir a Jesus Cristo praticando a sua fé”, afirmou o padre Beto antes de iniciar a celebração.

“Procuramos um local diferente dos salões que abrigam as igrejas, algo alternativo, descontraído, sem padronização alguma, mas com cara de família, algo aconchegante”, explica o padre Beto.

Ele conta que o prédio escolhido para ser a sede da nova igreja é alugado e que o valor de R$ 3.000 será pago por contribuições das pessoas que frequentam as celebrações. “Na Humanidade Livre não existe o pagamento de dízimo, por isso, os custos para manter a instituição serão honrados através das doações livres feitas nas celebrações”, explica o fundador da nova denominação.

Outra novidade da Humanidade Livre são as parcerias comerciais. “Estamos abertos para parcerias, pessoas que queiram comercializar ou anunciar seus produtos aqui, em troca recebemos um retorno financeiro”, esclarece.

As celebrações realizadas pelo padre Beto têm arrebatado muitos seguidores, tanto que a Diocese do Divino Espirito Santo de Bauru, prevendo a criação de uma nova igreja pelo religioso, pediu para que seus fiéis não frequentassem e nem participassem de possíveis "atos de cultos" realizados por ele.

Apesar da recomendação, alguns católicos continuaram a ir ao culto. Luis Antônio Sola, conta que segue frequentemente as celebrações do padre Beto.  “Gosto muito das homilias dele, um especialista em homilias, as mensagens dele são espetaculares”, afirma.

Com a Humanidade Livre abrindo as portas de sua sede em Bauru, padre Beto resolveu cutucar o comando da Igreja Católica local através da edição de um informativo interno ao responder a pergunta de como surgiu a Humanidade Livre: "A Humanidade Livre surgiu de uma excomunhão. Nós somos consequência das decisões tomadas pelos responsáveis da Diocese de Bauru, pois graças a eles tivemos a liberdade para criar algo novo. Por isso queremos agradecer ao bispo da Diocese de Bauru e aos padres do alto clero. Em abril de 2013 fui excomungado pela Igreja Católica por discutir abertamente a moral católica. Não podendo mais servir a Deus na Igreja Católica resolvi criar uma nova igreja, ou melhor, resolvi criar uma nova proposta de igreja: a Humanidade Livre”.

Ao encerrar a primeira missa da Humanidade Livre padre Beto brincou dizendo que pretende fazer o “convite especial” para que o bispo do Dom Caetano Ferrari para conhecer a nova igreja e participar de uma das suas celebrações.

Futuro

Antes mesmo de inaugurar a sede da Humanidade Livre, o padre Beto viajou para o nordeste brasileiro com a intenção de discutir a abertura de igrejas por lá. Feira de Santana (BA) e Recife (PE) podem ser as primeiras cidades a receber a Humanidade Livre.

“Esse processo é lento, mas temos conversado com outros padres que também foram excluídos pela Igreja Católica para a implantação da nossa igreja nesses locais,”, afirmou.

Padre Beto diz acreditar que o mais importante já foi feito, o lançamento de uma religião sem preconceitos e doutrinas. De acordo com ele a expansão será natural, assim como a aceitação.

“Por isso decidimos abrir as portas da Humanidade Livre mesmo ela ainda estando em reforma. Para que as pessoas incorporem essa ideia de que a nossa igreja cresce se fortalece a cada novo dia.”

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