Sem atendimento no Rio, menino terá que tirar gesso em casa, diz mãe

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Zulmair Rocha/UOL

    Os pais de Diego não vêem sentido em se deslocar para outra cidade para retirar o gesso do garoto

    Os pais de Diego não vêem sentido em se deslocar para outra cidade para retirar o gesso do garoto

Acompanhado dos pais, Diego, 12, esteve nesta terça-feira (5) no Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, na tentativa de retirar uma vedação de gesso. A estrutura foi colocada em seu braço após fratura, no setor de ortopedia do próprio Rocha Faria, há três meses. Hoje, porém, não há funcionários para remover a proteção, de acordo com o pai do menino, Luidame Pinto do Nascimento, 41.

A família foi orientada a procurar outras unidades de saúde em Realengo e em Santa Cruz, também na zona oeste da cidade, e em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. "Se ele colocou o gesso aqui no Rocha Faria, qual é o sentido de eu me deslocar lá para Nova Iguaçu para retirar esse gesso? Eles dizem que a ortopedia está lotada, que o Pezão [Luiz Fernando Pezão, governador do Estado] não pagou salário e que não tem material. Mas a gente é que paga por isso", afirmou a mãe do adolescente, Lindalva Maria da Silva Mendes, 49.

O Estado do Rio vive uma grave crise na saúde pública, em virtude do atraso no pagamento de salários e da falta de materiais e condições adequadas de atendimento. O Rocha Faria é uma das unidades mais afetadas. Nos últimos dias, houve relatos de pessoas que receberam alta mesmo com problemas sérios de saúde, além de exames de imagem não serem realizados. 

"(...) Eu mesma, sozinha, vou ter que tirar o gesso dele em casa", disse Lindalva.

A família chegou ao Rocha Faria por volta das 9h e saiu mais de três horas depois. Durante o tempo em que acompanhou o filho dentro do hospital, Luidame disse que o menino, mesmo com o gesso no braço, foi submetido a um exame de raio-x, mas que não poderia informar detalhes sobre o procedimento.

"O médico nem olhou direito. Eles só disseram para eu procurar outro hospital em Realengo, Santa Cruz ou só lá em Nova Iguaçu. Mas não adianta nada eu chegar lá sem um diagnóstico. Vão me mandar de volta para cá", declarou ele. Abordados pela reportagem do UOL, funcionários do hospital afirmaram que não estão autorizados a dar entrevistas.

O pai de Diego disse ter ouvido de funcionários do Rocha Faria que a situação na ortopedia está insustentável. "Eles falam abertamente que não adianta chegar mais gente porque não tem como atender todo mundo. Eu cheguei a discutir com uma pessoa lá dentro, mas tudo que eles falam é que não podem fazer muita coisa sem receber salário."

"É capaz dele voltar às aulas na escola ainda com o gesso. Só espero que isso não piore. Não quero ter que arrancar o braço do meu filho", comentou a mãe.

Na versão da família, a retirada do gesso é necessária para que seja feita uma avaliação do local fraturado. "Não sabemos se curou ou não", afirmou Luidame.

Zulmair Rocha/UOL
Maria de Lourdes se recupera de uma cirurgia para reparação de fratura no fêmur

Andréia Cláudia, 42, também teve problemas nesta terça por conta das condições de atendimento no setor de ortopedia. A mãe dela, Maria de Lourdes Rodrigues, 74, teve que esperar quase quatro horas para sair do hospital, após receber alta. Ela se recupera de uma cirurgia para reparação de fratura no fêmur.

"Disseram que havia poucos maqueiros. Os que estão trabalhando estavam almoçando. É assim que funciona? Um hospital sem maqueiros? Ela já teve alta, não sei o que ainda estou fazendo aqui", disse ela, que aguardava irritada na porta da emergência. Por volta das 13h, Maria de Lourdes enfim deixou o Rocha Faria.

"Além de todo o descaso, ainda tenho que colocar ela sozinha no carro. Só tem um rapaz me ajudando. Está tudo errado", reclamou.

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