PM solta bombas após manifestantes tentarem furar bloqueio em protesto

Flávio Costa

Do UOL, em São Paulo

A Polícia Militar soltou bombas, balas de borracha e spray de pimenta após um grupo de integrantes do MPL (Movimento Passe Livre) tentar furar o bloqueio feito por policiais na praça da República, durante o 5º ato contra o aumento da passagem do transporte público, nesta quinta-feira (21).

Os socorristas voluntários do Gapp (Grupo de Apoio a Protesto Popular) confirmam que 16 pessoas foram atendidas por elescom ferimentos de bala de borracha, spray de pimenta ou estilhaços de bombas. Outras duas foram socorridas por ambulância do Samu e sete pessoas foram atendidas na Santa Casa. O fotógrafo da Folha Avener Prado foi atingido por uma bala de borracha na perna.

O clima estava tenso já na concentração no terminal Parque Dom Pedro 2º, quando houve uma discussão sobre o trajeto. O MPL divulgou seu trajeto às 15h (horário de Brasília) em uma de suas páginas no Facebook, com a concentração prevista para o terminal de ônibus do parque Dom Pedro 2º, no centro de São Paulo, às 17h. O caminho proposto pelo grupo previa seguir para o Viaduto do Chá, Câmara Municipal e avenida 23 de Maio. O fim do ato seria na sede da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). 

Por volta das 16h, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) enviou nota à imprensa informando que o caminho proposto pelo MPL não seria possível por causa de outro protesto, de motoristas de vans escolares, que também passaria pelo Viaduto do Chá, Câmara Municipal e avenida 23 de Maio. Segundo a SSP, o "trajeto possível" seria do parque Dom Pedro 2º até a praça da República.

"Não podemos deixar a cidade refém dos manifestantes", disse o tenente-coronel da PM André Luiz Oliveira, um dos responsáveis pelo policiamento da manifestação desta quinta, minutos antes da assembleia do MPL. Segundo Oliveira, a antecedência ideal para aviso sobre o trajeto de protestos é de 24 horas. Na terça-feira (19), o MPL anunciou os trajetos de seus dois atos do dia em post no Facebook publicado por volta das 11h.
 
Durante a concentração, integrantes do MPL convocaram votação entre os manifestantes para decidir sobre o trajeto. A rota proposta pelo movimento venceu por ampla maioria. A proposta da PM recebeu apenas um voto. Outras duas também foram colocadas em pauta: seguir rumo ao Tatuapé pela avenida Radial Leste ou apenas ocupar o parque Dom Pedro 2º. 
 
Com a decisão do MPL, o tenente-coronel Henrique Motta, que comandou a operação da Polícia Militar, chegou a dizer que o protesto seria dispersado ainda na concentração. Depois, recuou: "Vocês vão até a Praça da República", disse aos integrantes do MPL.
 
Por volta das 20h30, uma bomba foi jogada pela polícia sob a justificativa de que um manifestante teria arremessado uma pedra contra PMs na rua Líbero Badaró. Havia pelo menos 30 mascarados desde o início da passeata.
 
"Daqui não passa. A passeata termina aqui", afirmou o tenente-coronel Henrique Motta, quando a passeata chegou à praça da República. Antes do confronto, o MPL fez um jogral em que culpava a PM se houvesse violência. "Não é a PM que define onde termina a manifestação", gritavam os manifestantes.
 
O impasse durou pelo menos meia hora. Por volta das 21h40, houve a tentativa de furar o bloqueio da primeira linha de policiais militares, que dispersaram a multidão com bombas, spray de pimenta e balas de borracha. Na segunda linha, havia pelo menos outros 50 policiais militares, entre eles integrantes do Batalhão de Choque.
 
Grupos de black blocs jogaram sacos de lixos pelas ruas do centro da cidade. Alguns tentaram depredar bares da região, mas foram contidos por outros que gritavam: "Só banco! Só banco!" A maioria dos manifestantes se dispersou após as bombas. 
 

5º ato

Este foi o 5º grande protesto contra o reajuste das tarifas de ônibus, metrô e trem em São Paulo, que entrou em vigor no último dia 9. O bilhete unitário passou de R$ 3,50 para 3,80, um aumento percentual de 8,67%.
 
No primeiro grande protesto da sexta-feira (8) houve confronto entre black blocs e policiais militares. O segundo, da terça-feira (12), foi marcado por cenas de repressão policial. Na quinta-feira (14) e terça-feira (19), não houve violência durante as duas passeatas realizadas. Na quinta, saindo da avenida Paulista, uma passeata seguiu para o centro e outro para zona oeste da capital paulista. Houve um tumulto após o fim do protesto já na dispersão da passeata da avenida Paulista, quando oito pessoas foram presas sob acusação de vandalismo na estação do metrô Consolação.
 
Na última terça, o ato foi na esquina das avenidas Rebouças e Faria Lima e duas passeatas para caminhos opostos: Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, e para a sede da Prefeitura de São Paulo, no centro da cidade. Nesse dia, não houve confronto entre policiais militares e manifestantes.

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