Para Ibama, 1 milhão m³ vazaram; MP questiona segurança da barragem

Carlos Eduardo Cherem e Rayder Bragon

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

Técnicos do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) estimam que tenha vazado algo em torno de 1 milhão de metros cúbicos de rejeitos da barragem do Fundão em Mariana (MG), após o deslocamento do material na quarta-feira (27).

A barragem, que pertence à mineradora Samarco, ruiu em novembro de 2015, provocando uma onda de lama de rejeitos que matou 17 pessoas, desapareceu com outras duas e deixou um rastro de destruição em dezenas de municípios de Minas Gerais  e do Espírito Santo e é considerado o maior desastre ambiental do país.

O volume de quarta é bem inferior da lama de novembro. Os órgãos ambientalistas de Minas Gerais estimam que no desastre cerca de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos tenham escoado da barragem, no acidente de 2015.
 
A Procuradoria da República esteve no local. Um vídeo foi feito pela procuradora capixaba Walquíria Picoli, que integra a força tarefa que investiga as causas do desastre. No momento em que fazia inspeções na mina da Samarco, ela conseguiu registrar o início do novo incidente.

As imagens foram apresentadas durante uma audiência pública sobre o caso na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, nesta quinta-feira (28), pelo procurador da República Edmundo Antônio Dias.

"A quantidade de rejeitos é absolutamente impressionante, e a empresa Samarco não tem nenhuma possibilidade de garantir a segurança das populações que se encontram na bacia do rio Doce", disse Dias, na audiência.

Representantes da Samarco na reunião, disseram que houve "um deslocamento de massa residual", mas não confirmaram o volume de 1 milhão de metros cúbicos de rejeitos. Eles disseram que a mineradora ainda está avaliando o volume.

"O deslizamento foi um desplacamento de rejeito que se encontrava remanescente logo a jusante do dique. (...) Esse movimento de massa, ele se deslocou de um ponto do reservatório, desceu e essa massa ficou paralisada logo próximo do início do reservatório de Santarém", afirmou o engenheiro José Bernardo Vasconcelos, um dos representantes da Samarco.

Contenção de rejeitos

A mineradora disse nesta quinta-feira (28) que "está executando obras para reforço das estruturas remanescentes, bem como construção dos diques de contenção de rejeitos", em Mariana (MG).

"Importante ressaltar, também, que as estruturas das barragens estão estáveis e são monitoradas 24 horas por dia", informou a Samarco.

Dam break

A mineradora Samarco informou que protocolou nesta quarta-feira (27) junto à Justiça a versão completa e definitiva do "dam break" (plano emergencial em caso de ruptura das barragens de Santarém e Germano, que compõem a estrutura da mina da Samarco em Mariana junto com Fundão, que se rompeu.

A mineradora disse que o documento entregue anteriormente, em 12 de janeiro, era uma "versão preliminar".

No último dia 15, três dias após o prazo concedido à companhia para apresentar o "dam break", o MP (Ministério Público) de Minas  Gerais solicitou à Justiça que a multa diária fixada em R$ 1 milhão pelo atraso na apresentação do plano fosse aumentada em cinco vezes, para R$ 5 milhões.

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