Dinheiro boiando no mar transforma Urca em local de caça ao tesouro no Rio

Alfredo Mergulhão

Colaboração para o UOL

  • Alfredo Mergulhão/Colaboração para o UOL

    Mayko Vieira procura sem sucesso por notas de R$ 100 e R$ 50 que desde domingo vêm sendo encontradas no mar da Urca

    Mayko Vieira procura sem sucesso por notas de R$ 100 e R$ 50 que desde domingo vêm sendo encontradas no mar da Urca

Desde domingo (20), quando notas de R$ 100 e R$ 50 começaram a aparecer no mar na região do Quadrado da Urca, uma pequena marina onde embarcações ficam ancoradas, na zona sul do Rio de Janeiro, barqueiros e pescadores iniciaram uma espécie de "caça ao tesouro" nas águas da Baía de Guanabara.

A movimentação, que continuava nesta quarta-feira (23), chamou a atenção dos moradores do bairro e também atraiu mergulhadores de outros bairros que estão na busca do dinheiro. Na mureta ao longo da orla, havia dezenas de curiosos, e vários mergulhadores se arriscaram a entrar na água para tentar a sorte.

"Meu amigo é barqueiro e me contou que estavam encontrando dinheiro aqui. Mas acho que cheguei tarde, porque não consegui nenhum centavo. Na próxima ressaca eu volto para procurar", disse Mayko Vieira, 35, mergulhador que mora em Copacabana e pratica caça submarina, um tipo de pesca com arpão.

Dias com ressaca no mar costumam ser os piores para os barqueiros, mas o último domingo foi uma exceção. As águas agitadas trouxeram para Roberto Pereira, 42, R$ 45 mil em notas e maços de dinheiro boiando.

Deste montante, o barqueiro afirma que conseguiu trocar R$ 22.850 em uma agência da Caixa Econômica Federal.

Alfredo Mergulhão/Colaboração para o UOL
O barqueiro Roberto Pereira teve mais sorte e conta ter encontrado R$ 45 mil

"Eu sequei as notas e levei para o banco, mas parte do dinheiro estava carcomido, então o caixa não aceitou tudo. Mas já é uma boa grana", conta.

Pereira soube por colegas que havia cédulas boiando na Baía de Guanabara. Ele acredita que as notas estavam no fundo do mar e vieram à superfície devido à ressaca.

"Cada vez que a água batia na mureta da Urca com mais força, o dinheiro subia. Eu peguei meu equipamento de mergulho e catei o máximo que consegui. Teve gente que não acreditou e perdeu a oportunidade", afirma.

O barqueiro trabalha com passeios para turistas. Com o dinheiro, ele já comprou tinta e madeira para terminar a reforma de seus dois barcos. Ele aposta que ganhará mais dinheiro no verão com as embarcações recauchutadas.

Pouca sorte

O pescador Valdeci Bezerra, 60, não teve a mesma sorte. Ele conseguiu pegar apenas R$ 600 e gastou o dinheiro com material de construção para usar na reforma que faz em sua casa.

"Eu dei azar. Meu colega mergulhou e voltou com um malote de banco cheio de moedas de R$ 0,50 e R$ 1", disse. Bezerra acredita que o dinheiro estava submerso há muito tempo, pois as cédulas eram antigas. "As notas eram daquelas menores, que já foram trocadas por novas, maiores, mas o comércio ainda aceita essas velhas", afirmou.

Os moradores da Urca estranharam a movimentação no bairro desde o último domingo. O que se comenta nos arredores do Quadrado da Urca é a respeito dos valores encontrados na água. Alguns fazem piada de que o dinheiro pertencia ao ex-governador Sérgio Cabral, preso na Operação Lava Jato na última quinta-feira (17).

"Quando o dinheiro apareceu aqui, começaram a falar que era o Cabral escondendo o flagrante. Não sei se é verdade", brincou Wallace Moraes Júnior, 32, garçom de um restaurante localizado em frente à mureta da Urca.

Mas apesar da empolgação de alguns, há também os mais céticos. "Para mim isso é conversa fiada. Realmente tinha algum dinheiro aí, mas alguém encontrar R$ 45 mil? Eu duvido. Ninguém até agora mostrou esse volume inteiro nem o extrato da conta bancária", disse o engenheiro João Ribeiro, 60, nascido e criado no bairro.

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