Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Para fugir do calor e de arrastões, banhistas preferem praia à noite no Rio

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

Não é exatamente uma novidade desse verão, mas a cena não deixa de impressionar. "Nunca vi tanta gente na praia à noite", comentou o turista sueco Martin Sand, 32, que chegou ao Rio de Janeiro na terça-feira (27).

Às 20h, ele deixou o hotel em que havia acabado de se hospedar diante da praia do Arpoador, em Ipanema, zona sul da cidade, com a namorada, a estudante russa Yana Vstivgova, 27, e os dois foram para o mar.

"Está calor demais. A água fria é muito refrescante", comentou Yana. Às 21h, os termômetros de rua do bairro registravam 31ºC. Horas antes, no início da tarde, a cidade registrou a mais alta temperatura de 2016 na cidade, 42,3ºC, em Guaratiba, na zona oeste. A sensação térmica no local chegou a atingir 47,7ºC.

"Eu acho mais gostoso", diz a estudante Júlia Barrocas, 21, que mora no Grajaú, na zona norte, e vai para Ipanema, a quase 20 quilômetros de distância. "Até o transporte para voltar é melhor, menos cheio".

Também da zona norte, do bairro de Bonsucesso, saiu um grupo de 22 pessoas. Chegaram no Arpoador às 20h. "Só vamos sair daqui quando a cerveja acabar", avisou a recepcionista Loraine Moraes, 24.

O grupo levou dois coolers e "72 latões" de cerveja (de 473 ml, cada).  Às 21h, as previsões de saída variavam entre 1h e 5h. "Estava um calor infernal, um sol para cada um. Só tem como vir à noite", disse Loraine.

Mas fugir do "calor infernal" não é o único motivo que tem levado milhares de pessoas às praias cariocas depois do pôr-do-sol. Com as altas temperaturas durante o dia, as areias ficam praticamente lotadas, atraindo ladrões e os temidos arrastões.

"De dia, o bicho tá pegando. Tem tanto ladrão, que tem até ladrão roubando ladrão", comentou André Luiz Miranda, 45, dono de uma barraca na praia.

Quase uma hora antes do pôr-do-sol, por volta das 18h30, a reportagem do UOL presenciou um arrastão entre a Pedra do Arpoador e o Posto 8. Um grupo de aproximadamente dez jovens correu entre os banhistas e conseguiu roubar pelo menos uma câmera fotográfica, que pertencia a um casal de franceses.

As vítimas não quiseram se identificar, mas o homem contou que chegou a levar socos no rosto ao tentar segurar a mochila. Sua mulher tentou ajudá-lo e teve a bolsa levada. Policiais militares correram atrás dos criminosos, mas eles correram para o mar. Um suspeito foi preso.

A bolsa da turista foi recuperada, mas sem a câmera. Era o primeiro dia do casal na cidade. "Foi o nosso kit de boas-vindas", declarou a francesa.

Dois casais de turistas, da Inglaterra e da Itália, assistiam ao pôr-do-sol no local e já se preparavam para sair da praia antes do anoitecer. Matt e Abi Tice, e Arianna Volpi e Gianluca Forconi contaram terem sido instruídos a não ficar na praias cariocas à noite, por razões de segurança. "Alguns brasileiros nos alertaram e, há pouco, vimos policiais prendendo pessoas ali", contou Matt, apontando para a areia.

"À noite, o policiamento é reduzido, mas por incrível que pareça é mais tranquilo", relatou André, que costuma desmontar sua barraca e recolher as cadeiras de praia assim que o sol se põe. "Tem movimento, mas ninguém gasta nada", explica.

Outro clima

Com a mudança de turno, o clima da praia também se altera. Ainda cheia de gente, mas não lotada como antes, à noite as areias ficam mais propícias para a prática de esportes, para crianças e para cachorros.

A estudante de direito Maria Eduarda Aquino, 20, mora no bairro de Laranjeiras, na zona sul, e, acompanhada da irmã, Giulia, 24, levou o cão Athos para brincar na praia do Arpoador. Chegaram no fim da tarde e só saíram quando já havia escurecido.

"É bom porque a praia fica mais vazia e a água mais calma. Com o horário de verão e a iluminação pública é ótimo. No inverno, é mais difícil vir à noite", comentou Maria Eduarda.

A profissional de marketing Luana de Lima, 32, levou a amiga Danila Seixas, 34, e seu filho, Miguel, 5, de visita no Rio, para a praia do Arpoador pela manhã. "Principalmente por causa de Miguel, não deu para ficar muito tempo naquele calor", disse Danila.

As amigas resolveram então voltar à noite, quando o menino pôde brincar sem se preocupar com o sol. "100% seguro não é, mas é mais agradável", comentou Luana, que antes de falar com a reportagem do UOL conversava com uma amiga por vídeo pelo Skype, no celular.

A poucos metros, sob a luz de um poste de iluminação pública, crianças brincavam em uma espécie de piscina aberta no meio da faixa de areia horas mais cedo, quando a maré estava alta.

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