Comerciante promete bolo e cachaça de graça para "comemorar" 20° arrombamento na Paraíba

Colaboração para o UOL, em João Pessoa (PB)

  • Arquivo pessoal

    Carlos Alberto Vieira, proprietário da Cachaçaria Philipéia, em João Pessoa

    Carlos Alberto Vieira, proprietário da Cachaçaria Philipéia, em João Pessoa

Bolo e cachaça de graça para quem quiser. É assim que o dono de uma cachaçaria, em João Pessoa (PB), promete "comemorar" o 20º arrombamento de seu estabelecimento comercial, localizado no Centro Histórico da cidade.

Famosa entre os frequentadores e boêmios, a Cachaçaria Philipéia foi alvo de ladrões 19 vezes em 13 anos de funcionamento, segundo o empresário Carlos Alberto Vieira, proprietário do bar.

O desabafo, em tom de bom humor, veio nas redes sociais, após o 19° furto.

"Eu sou um brasileiro original: festivo, carnavalesco, futebolístico e ostentação, ou seja, diante das tragédias, dos preços elevados, do caos social na segurança, na saúde, educação, no transporte, da canalhice dos politiqueiros, eu dou risadas, risadas e mais risadas. Mas não sou tão brasileiro original assim, não", relatou Vieira.

O empresário disse que nas primeiras vezes chegou a procurar a polícia para fazer o registro da ocorrência, mas depois de tantas repetições acabou desistindo.

"Já fizemos um abaixo-assinado pedindo segurança, mas você sabe como é", disse. Há poucos dias, veio o 19° arrombamento. "Estava dormindo com minha esposa quando ligaram para o celular dela avisando", declarou.

"Primeiro, acalmai-vos cachaceiros da Parahyba (sic), pois em função do décimo nono arrombamento, ao longo desses 13 anos, não é dessa vez que a Cachaçaria Philipéia vai fechar as portas. Os arrombamentos, perpetrados por contribuintes-ladrões famélicos, na verdade, são resultados de desgovernos cujos sistemas de segurança estão falidos, levados a cabo por pessoas não qualificadas, incapacitadas, sem profissionalismo", postou o empresário no Facebook.

A indignação dele parou por aí. Segundo Vieira, os tais ladrões famélicos "não servem nem para ser inspetor de quarteirão". E terminou a postagem desejando um "péssimo 2017" para "a brasileirada ostentação, festiva e carnavalesca".

Para não desagradar ninguém, o empresário justificou: "País nenhum no universo consegue a sustentabilidade econômica, social e política com suspeitos, condenados, investigados, processados, réus e citados na boca de bandidos da unilateral Lava-Jato ocupando o Poder Central. Ademais que eu vou em frente".

Segundo ele, os ladrões levaram duas furadeiras. Mas nas ocorrências anteriores levaram botijões de gás, caixa de som, amplificador. "Não deixo nada de valor porque sei do risco que é. Eu só peço pelo amor de Deus que não levem minha coleção de cachaças antigas, porque isso sim iria me fazer sofrer demais", pontuou. Há, na cachaçaria, bebidas antigas, raras, de 30, 40 anos.

O empresário disse que a cada arrombamento vem o prejuízo do conserto da porta, que geralmente fica entre R$ 300 e R$ 400. "Toda vez tenho de ajeitar a porta, acaba sendo um prejuízo a mais, mas infelizmente não vejo outro jeito. Não vou fechar meu estabelecimento. Sou, junto com outros comerciantes do Centro Histórico de João Pessoa, um herói da resistência", afirmou.

Arquivo Pessoal
A Cachaçaria Philipeia, no centro histórico de João Pessoa (PB)

Rondas são diárias

Embora os comerciantes do Centro Histórico de João Pessoa reclamem de uma insegurança generalizada na área, a Polícia Militar da Paraíba garantiu que as rondas são realizadas noite e dia, todos os dias da semana.

Por meio da assessoria de imprensa, a Polícia Militar informou que não existe nenhum registro de furto ou roubo à Cachaçaria Philipéia neste ano.

A segurança na área central de João Pessoa, ainda de acordo com a polícia, conta com o reforço de viaturas extras da Força Tática, Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e policiamento a pé.

Foi informado ainda que o policiamento, em toda a Paraíba, é distribuído conforme dados estatísticos e, por isso, é imprescindível que a população registre a ocorrência de qualquer situação criminosa pelo número 190. 

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