Jovem de 24 anos morta em chacina pegaria diploma dia 27, lamentam amigos

Janaina Garcia

Do UOL, em Campinas

Uma jovem cheia de planos que sonhava em seguir nos estudos na Alemanha. Assim a estudante Larissa Ferreira de Almeida, 24, foi descrita por amigos de faculdade que se disseram chocados com a notícia do assassinato da jovem.

Larissa é uma das 12 vítimas da chacina promovida na noite de Réveillon pelo técnico em laboratório Sidnei Ramis de Araújo, 46, que se matou com um tiro, na sequência. Entre os mortos, estão a ex-mulher dele, Isamara Filier, 41, e o filho do casal, João Victor Filier de Araújo, 8. O crime aconteceu durante uma confraternização de Ano Novo.

Os jovens contaram que pegariam no próximo dia 27, com Larissa, o diploma pela conclusão do curso técnico de gestão da qualidade.

"Ela dizia que não pararia de estudar, queria fazer engenharia fora, tirar passaporte europeu e ir embora. Também era uma menina muito exigente consigo: não aceitava tirar nota baixa", contou o estudante Paulo Rogério Cintra, 27, amigo da jovem.

Cintra contou que Larissa "se preocupava muito com a mãe", Ana Luzia Ferreira, 52, uma das 12 vítimas do atirador. De acordo com os amigos, Ana fizera ano passado um transplante de rim e precisava viajar com frequência para tratamento médico. "A Larissa se preocupava porque nem sempre podia ir junto com a mãe, era longe. Lembro que ela ficou super feliz quando dona Ana conseguiu a doação de rim", lembrou.

Também amigo de sala da jovem, Jéferson Lucas Tavares, 24, observou que o sonho de Larissa tinha nome definido: "Alemanha. Ela queria muito ir estudar na Alemanha. É uma tragédia sem fim isso que aconteceu", lamentou.

Dedicada também ao jiu-jitsu

O instrutor de jiu-jítsu Patrick Gonçalves Chaplin, 37, lembrou da aluna e amiga Larissa, no domingo. Presente ao velório dela e das outras vítimas, Patrick contou que a jovem planejava iniciar um curso de engenharia de produção, mas isso não afetava sua dedicação aos treinos do esporte que praticava há cerca de dois anos e meio.

"Foi terrível para toda a equipe. Ela era muito inteligente, esforçada e dedicada. Participava de todos os eventos da academia, mesmo trabalhando e estudando. Vai deixar muita saudade", diz o amigo.

Ele disse ter ficado sabendo pela TV, mas se recusou a acreditar. "Depois vi no Facebook dela e vi que aconteceu mesmo. Pegou todo mundo de surpresa", lamentou.

As vítimas foram veladas todas juntas no Cemitério da Saudade, em Campinas. Os sepultamentos foram realizados dois a dois e se estenderam pela manhã.

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