Nova rebelião no RN deixa ao menos um morto e vários feridos

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

Ao menos um preso foi morto e outros ficaram feridos na rebelião iniciada na noite desta quarta-feira (18) na Penitenciária Estadual do Seridó, localizada em Caicó (região oeste do Rio Grande do Norte). A Sejuc (Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania) confirmou nesta quinta-feira a morte do preso e informou que as circunstâncias da morte estão sendo investigadas pelo Itep (Instituto Técnico-Científico de Polícia)

Sobre os feridos, a secretaria confirma apenas um. Seria um agente penitenciário, que teria sido ferido por uma pedrada. Segundo a pasta, ele foi atendido e está bem

A informação dada ao UOL pelo responsável pelo Batalhão de Polícia em Caicó, cabo Tarcísio Medeiros, era de que o motim havia sido controlado durante a madrugada. Mas moradores e comerciantes locais informaram à reportagem que no início da manhã desta quinta-feira ainda havia detentos em cima dos telhados da unidade prisional e que a situação só foi controlada no início da manhã.

Oficiais do Batalhão de Polícia em Caicó disseram que a situação está controlada e que policiais militares e agentes penitenciários já fizeram a recontagem dos presos. 

Sobre o motim de ontem à noite, Medeiros contou que ele aconteceu apenas em um pavilhão, o B. "Pelo que sabíamos, só havia dois presos do PCC no local, não temos informação ainda sobre quem são as vítimas", disse. Os presos do pavilhão A não se juntaram aos demais rebelados.

A Polícia Militar não soube informar quantos presos ficaram feridos na rebelião, mas garantiu que todos os feridos foram socorridos por equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Os presos iniciaram a rebelião quebrando grades do pavilhão B que dá acesso à cozinha da unidade prisional e subiram no telhado. Segundo a Polícia Militar, o motim começou por volta das 20h (21h horário de Brasília).

Os rebelados atearam fogo em colchões, contido pelo Corpo de Bombeiros, e alguns chegaram a subir no telhado da penitenciária com tecidos contendo o nome da facção criminosa Sindicato do Crime do RN, rival do PCC (Primeiro Comando da Capital). A bandeira tem siglas de outras facções aliadas ao Sindicato do Crime do RN, como: CV, OKD, FDN. 

Segundo a PM, policiais das guaritas observaram que os presos estavam com movimentação diferente e logo se posicionaram para impedir fugas.

A penitenciária de Caicó tem capacidade para 265 internos, mas custodia atualmente 297 homens. Na ala feminina, há 53 mulheres presas e a capacidade é para 56.

Veículos incendiados

Além da rebelião no presídio do Seridó, a polícia registrou ataque a veículos feito por criminosos em Caicó. Pelo menos cinco veículos da Secretaria Municipal de Saúde foram incendiados. Eles estavam estacionados em uma área do pátio da secretaria, localizada no bairro Vila do Príncipe, zona norte. Não há registro de feridos e o fogo já foi contido.

Fogo também foi ateado em um ônibus que estava na garagem da Viação Jardinense, que faz transporte intermunicipal de passageiros. Segundo testemunhas, dois homens portando armas de fogo e galão com combustível invadiram o veículo no momento em que os passageiros desciam na parada final. O veículo teve perda total, mas ninguém se feriu.

Até o final da noite, a polícia não havia conseguido prender nenhum suspeito de cometer os incêndios criminosos em Caicó.

Noite de medo

Natal e cidades da região metropolitana encerram o dia sem ônibus porque pelo menos 12 veículos foram incendiados. Oito ônibus da empresa São Geraldo, que faz o transporte interestadual de passageiros, foram incendiados na garagem da empresa, em Natal. Até agora, segundo o Corpo de Bombeiros, 11 ônibus e um carro do governo do Estado foram incendiados na capital.

Por volta das 23h, um micro-ônibus foi incendiado no bairro Bela Vista, em Parnamirim (também na região metropolitana), e um ônibus na cidade de Macau (região oeste do Estado). Em ambos os casos, não há registro de vítimas.

Crise no RN

O sistema prisional do Rio Grande do Norte está em crise desde o fim de semana, quando presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta (região metropolitana de Natal), se rebelaram e assassinaram 26 detentos.

A rebelião foi ocasionada por disputa de domínio entre as facções criminosas Sindicato do Crime do RN, grupo que age nas cadeias do Estado, e o PCC (Primeiro Comando da Capital), originada na região sudeste e que tem ramificações no Nordeste. Segundo o sindicato dos agentes penitenciários do RN, presos do pavilhão 5 de Alcaçuz, que custodiava integrantes do PCC, invadiram o pavilhão 4 e iniciaram um enfrentamento com membros do Sindicato do Crime do RN.

Na terça-feira (17), o clima ainda era de tensão no sistema prisional do Estado, pois presos do Sindicato passaram a ameaçar se rebelar caso não houvesse transferência de detentos do PCC de Alcaçuz para outros presídios.

Presos da Cadeia Pública de Natal, conhecida também como Presídio Provisório Professor Raimundo Nonato, se amotinaram nas primeiras horas da segunda-feira, mas não houve mortes, feridos ou fugas na unidade prisional. Eles tentaram derrubar uma parede da cadeia usando armas brancas para entrar na área de isolamento da unidade prisional, porém foram contidos pela polícia.

Tropa de Choque da PM entra no presídio de Alcaçuz

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