Agência do INSS fecha em dia de protestos e irrita usuários com perícias agendadas em SP

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Janaina Garcia

    Reinaldo (esq) e o irmão foram até uma agência do INSS, mas o local estava fechado

    Reinaldo (esq) e o irmão foram até uma agência do INSS, mas o local estava fechado

O aposentado Reinaldo de Souza, 61, disse que tentou a sorte nesta quarta-feira (15) ao levar o irmão a uma agência do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) na região da Sé (centro de São Paulo). Renan, 58, precisaria passar por uma perícia médica para conseguir o auxílio-doença de um salário mínimo, que não recebe há dois meses. O esforço, ainda mais em dia de paralisação no transporte público, foi em vão: a agência na rua Xavier de Toledo foi uma das várias a fechar as portas, hoje, em apoio à mobilização nacional contra as reformas da Previdência e trabalhista.

"Meu irmão é especial, teve meningite na infância. Está há dois meses esperando a perícia para ter acesso ao auxílio-doença. Chegamos aqui com uma dificuldade absurda, não me conformo com um descaso desses", reclamou. "Arrisquei a sorte. Não sou contra os protestos de hoje, mas tinha que ter um mínimo de gente na agência trabalhando", sugeriu Reinaldo, que afirmou ter se aposentado aos 54 anos.

Por volta do meio-dia, um grupo de dez pessoas se aglomerava em frente à agência para tentar ser atendido --a maioria com perícia ou pedidos de aposentadoria agendados para hoje.

O entregador Ricardo de Oliveira, 22, também relatou dificuldades para se deslocar para a perícia agendada há dois meses. Ele contou que sofreu um acidente de moto enquanto trabalhava, no final do ano passado, e precisou operar o tornozelo. Desde então, está sem receber.

Janaina Garcia/UOL
O entregador Ricardo de Oliveira tem perícia agendada há dois meses

"O que é decepcionante é ninguém dar informação para a gente. Foi um sufoco vir de Paranapiacaba (Grande São Paulo) com transporte público parado e recém-operado", disse.

Cuidadora da mãe, que tem Alzheimer, Cleuza Araújo de Souza, 60, declarou que não sabia que os protestos de hoje atingiriam também as agências do INSS. Ela daria entrada ao processo de aposentadoria --justamente alvo da reforma previdenciária proposta pelo governo federal e que motivou os atos de hoje.

"Vim de São Mateus (zona leste) para cá, com toda a dificuldade do dia de hoje, e não queria ouvir de um segurança que eu deveria 'ligar no 135' para resolver minha situação", definiu. Mas ressalvou: "Acho o projeto de hoje justo. Injusto é querer que as pessoas comecem a trabalhar com 16 anos, sem ficar desempregado um único dia, para conseguirem se aposentar com 49 anos de contribuição. Desse jeito, meus filhos e meus netos não conseguirão se aposentar nunca", afirmou.

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