"Só lembrava do ônibus 174; tive medo de morrer", diz motorista sequestrado

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Marcela Lemos/UOL

    Motorista conseguiu avisar aos agentes da Polícia Rodoviária Federal que o ônibus estava sendo assaltado

    Motorista conseguiu avisar aos agentes da Polícia Rodoviária Federal que o ônibus estava sendo assaltado

Logo após o assalto do ônibus da viação ABC, na subida da ponte Rio-Niterói, o motorista Ailton Tavares de Oliveira, 43, responsável pelo veículo número 105.148 da linha Alcântara-Niterói, chegou para prestar depoimento na delegacia de Niterói (RJ). Segundo a Polícia Militar, ele conseguiu avisar aos agentes da Polícia Rodoviária Federal, com um sinal, que o coletivo estava sendo assaltado.

Oliveira, que tem dois filhos e trabalha há seis anos na empresa, disse que não se sente um herói. "Agi como um profissional", falou:

Achei que ele fosse matar todo mundo. Só lembrava do ônibus sequestrado no Rio, o 174. Tive medo de morrer

Ele conta que o assaltante pagou passagem e anunciou o assalto 30 minutos depois. Como faz o mesmo trajeto diariamente, afirmou, sabia que iria encontrar uma blitz da PRF. "Passei piscando o farol, eles entenderam e vieram atrás. O assaltante queria que eu subisse a ponte, mas falei que o trânsito estava parado e que eu ia encostar o veículo".

Ao todo, 30 pessoas estavam no veículo e ninguém se feriu.

Veja imagens do sequestro de ônibus na ponte Rio-Niterói

O assaltante, identificado como Jhon Lenon, 25, se entregou após 1 hora e meia de negociações com agentes do Batalhão de Polícia Militar de Niterói e da Polícia Rodoviária Federal. Ele exigiu a presença da mulher dele no local.

Segundo o titular da Delegacia de Niterói, Glaucio Paes, o criminoso usava uma arma de brinquedo. "Ele não tinha como prolongar muito a ação. Usava uma arma de brinquedo. A qualquer momento os policiais iriam perceber a arma falsa e iam acabar invadindo o veículo", afirmou.

Silva era da Comunidade da Coruja, em São Gonçalo (RJ). A PM informou que ele tem três anotações criminais: roubo, disparo de arma de fogo e concurso formal (quando são registrados dois crimes ao mesmo tempo) e saiu da liberdade condicional em maio de 2015, após ficar preso por 4 anos e seis meses. Agora vai ser autuado por roubo qualificado. 

A administradora de empresas Janete Schmidt, 50, ficou com a arma de Jhon Lenon apontada para sua cabeça. Depois, conta ela, ele mirou a barriga. "Vou morrer", pensou.

Lembrei da família, lembrei da menina sequestrada no 174. Ele gritava muito para o motorista seguir e dizia que não queria fazer mal pra ninguém, mas que se fosse pra ele morrer, alguém ia junto

Segundo ela, o assaltante se acalmou depois que a mulher dele chegou.

O sequestro do ônibus 174, no Rio, completa 17 anos em junho. A tragédia começou quando um homem armado entrou no ônibus no bairro do Jardim Botânico, zona sul, e manteve os passageiros reféns por quase cinco horas. A ação terminou de forma trágica: Geisa Firmo Gonçalves morreu baleada pelo assaltante Sandro Barbosa do Nascimento, após um policial tirar contra ele.

"Foi bem assustador no começo", contou um dos passageiros, que se identificou como Felipe. "Na altura da [av.] Contorno o meliante subiu, pagou a passagem e anunciou o assalto. Disse 'quero celular de todo mundo, pertences, não vou machucar ninguém'."

Ele conta que quando o ônibus virou no acesso à ponte, havia uma blitz da Polícia Rodoviária Federal. Foi quando o criminoso percebeu que havia "perdido", conta. "Todo o tempo, eu estava tentando negociar junto com policiais e com ele. Eu estava um pouco nervoso, tinha uma gestante. Enquanto ele segurava a mulher, passageiros no fundo do ônibus recebiam água", explicou.

Segundo o passageiro, o criminoso disse que só sairia depois de dar um abraço na mulher e nos filhos. Depois da negociação, o assaltante foi preso e encaminhado ao 76º Distrito Policial.

O delegado Glaucio Paes disse que duas vítimas de outros roubos já reconheceram o assaltante. Um veterinário, que não quis se identificar, contou que teve o carro e R$ 70 mil em equipamentos levados, no sábado (18), pelo homem que ele viu na televisão assaltando o ônibus.                       

Outro assalto no mesmo ponto

Logo após o episódio com o ônibus da viação ABC, um outro ônibus foi assaltado no mesmo local. Um coletivo da viação Mauá foi abordado por um criminoso, que conseguiu fugir.

"A ação durou fração de segundos, ele me abordou, levou mais de R$ 300 do caixa do ônibus e levou os pertences de um passageiro que estava na porta do ônibus, disse o motorista Romeu da Silva de 48 anos.

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