Mobilizados separadamente, grupos preparam manifestação contra "combo da impunidade"

Daniela Garcia

UOL, em São Paulo

  • 14.abr.2016 - Valter Campanato/Agência B/rasil

    Manifestantes protestam em frente ao Congresso Nacional, em Brasília

    Manifestantes protestam em frente ao Congresso Nacional, em Brasília

Movimentos que nos últimos anos foram às ruas pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff preparam a primeira manifestação do ano, prevista para este domingo (26), com um novo alvo: o Congresso Nacional. Líderes do Movimento Vem Pra Rua e do MBL (Movimento Brasil Livre) planejam mobilizar milhares de manifestantes contra um "combo da impunidade": anistia ao caixa dois, foro privilegiado e voto em lista fechada. Apesar do foco comum, porém, os grupos convocam seus seguidores separadamente e têm, inclusive, pautas laterais.

Projetos articulados por senadores e deputados federais tomaram conta do notíciário nos últimos dias e viraram o grande foco dos protestos. O novo alvo também ajuda a encorpar o que era, há até poucos dias, a reivindicação principal proposta pelos movimentos: o apoio à Operação Lava Jato.

"O Congresso está tentando jogar na cabeça do povo um combo de coisas que destroem a renovação política: anistia, foro privilegiado, voto em lista e aumento de financiamento público [das eleições]", diz Rogério Chequer, empresário e líder do movimento Vem Pra Rua, que organiza o evento deste domingo.

Apesar de ambos movimentos mobilizarem as redes sociais para o protesto, Chequer não confirma uma parceria com o MBL e trata o ato como fruto de promoção exclusiva do Vem Pra Rua.

O MBL, coordenado por Kim Kataguiri, tem reivindicações além das que foram apresentadas pelo grupo de Chequer. Em entrevista ao UOL por e-mail, Kim diz que o grupo também protesta neste domingo a favor do fim do Estatuto do Desarmamento e de uma sugestão própria de emenda apresentada ao Congresso para a reforma previdenciária.

A manifestação, que em São Paulo vai ocorrer na avenida Paulista, está prevista para acontecer em 103 cidades no país, de acordo com o Vem Pra Rua. Em Brasília, o protesto vai se concentrar às 10h em frente ao Congresso Nacional. No Rio de Janeiro, os manifestantes estarão na praia de Copacabana, no mesmo horário. No Rio Grande do Sul, o ponto de encontro é o parque Moinhos de Vento, de Porto Alegre, a partir das 15h. O movimento chamou atos também em quatro cidades do exterior: Boston e Nova York, nos Estados Unidos, Lisboa, em Portugal, e Zurique, na Suíça.

O Vem Pra Rua e o MBL devem compartilhar a avenida Paulista neste domingo, junto de outros grupos menores. O protesto deve repetir o ritual dos demais, mantendo-se parado na avenida.

Lava Jato: "defesa constante"

As bandeiras levantadas pelo Vem Pra Rua não anulam a "defesa constante" da Operação Lava Jato, afirma Chequer. Diferentemente dos eventos anteriores, em que a ex-presidente petista Dilma Rousseff era o alvo, o empresário diz liderar um movimento crítico aos políticos que se articulam para "manter a impunidade não importa de que partido seja. Seja do governo ou não. Se for do PT ou não."

Para Chequer, o "combo" de ações propostas pelos congressistas indica que há um movimento pela impunidade dos possíveis envolvidos em investigações da Lava Jato. Ele vê como indício desse cenário a reunião de 15 de março entre o presidente Michel Temer, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Gilmar Mendes, e os presidentes do Senado e Câmara, Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ao final do encontro, Mendes defendeu a adoção do sistema de votação por lista fechada, quando o eleitor vota em um partido que apresenta uma lista pré-ordenada dos candidatos, não em um nome. Hoje, o eleitor vota diretamente no candidato.

Nas redes sociais do Vem Pra Rua, os participantes dessa reunião viraram chamariz para divulgar o evento deste domingo. Uma foto de Temer, Maia e Eunício vem acompanhada da mensagem: "Eles tramam o fim da democracia, com voto em lista fechada e mais R$ 3 bilhões para as eleições. Não vamos permitir. Se você não concorda, no dia 26 de março, vem pra rua!". A montagem teve 12 mil curtidas. Na página do evento deste domingo em rede social, há cerca de 29 mil manifestantes confirmados.

Kim Kataguiri, por sua vez, aponta que a manifestação é contra anistias a crimes relacionados a caixa dois consideradas por "figuras" como o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, Edison Lobão (PMDB-MA), e o relator da comissão sobre reforma política na Câmara, Vicente Cândido (PT-SP).

Políticos não vão para as ruas

Na manifestação de São Paulo, o único político que deve subir no carro de som do MBL é o vereador da capital paulista Fernando Holiday (DEM), integrante do grupo. O Vem Pra Rua afirma que é um movimento suprapartidário e não dará voz a nenhum político nos protestos por todo o Brasil.

Diferentemente do que está previsto para este domingo, a manifestação de março do ano passado contra a corrupção contou com a presença de vários políticos de expressão nacional. Alguns deles, citados nas delações da Odebrecht afirmam, reservadamente, que não pretendem comparecer às manifestações porque a pauta já não é mais a saída da presidente petista.

 

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