Idosa desafia Tropa de Choque durante protesto violento no Rio

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

A servidora pública federal Arlene Carvalho, 70, não se intimidou diante de policiais da Tropa de Choque da PM do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (28), durante o violento protesto que marcou a greve geral contra as reformas trabalhista e da Previdência defendidas pelo governo Michel Temer (PMDB).

A idosa, que disse ter acompanhado o ato desde o começo e presenciado uma "postura truculenta" da polícia, foi cortejada por outros manifestantes depois de se posicionar à frente de um cordão formado por militares e fazer um discurso carregado de críticas.

"Eu tenho idade para ser mãe de vocês", afirmou a ela a um dos PMs, em meio a bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha que eram disparadas no entorno da avenida Rio Branco, no centro da capital fluminense.

Ao UOL, Arlene afirmou não concordar com os atos de vandalismo que antecederam a ação mais ostensiva da Polícia Militar, mas reclamou que toda a praça de guerra no centro do Rio teria sido originada no começo da manifestação, por culpa da polícia.

"O pessoal estava na Alerj tranquilamente e eles começaram", disse ela, referindo-se ao momento em que os ativistas se organizavam para sair em passeata pela rua Primeiro de Março, em frente à Assembleia Legislativa do Rio. Na ocasião, foram lançadas bombas de gás e de efeito moral pelos militares que faziam a segurança da sede do Legislativo e que estavam atrás das grades afixadas na rua.

"Concordo plenamente que não se deva depredar. A manifestação não é para isso. Essa não é uma luta de um movimento só. É a luta de todos. Daquele que trabalha 40 anos e não vai poder se aposentar. Vai morrer trabalhando", completou ela.

A reportagem tentou abordar os policiais, mas eles saíram em retirada logo depois por conta de novos confrontos em uma área próxima ao Theatro Municipal e à Câmara de Vereadores. Outros policiais presentes no local não quiseram comentar.

O ato realizado nesta sexta reuniu as centrais sindicais e movimentos sociais de esquerda, mas também contou com a presença de black blocs. Durante a passeata pela Primeiro de Março, uma minoria formada por pessoas mascaradas e outras pessoas deixaram um rastro de depredação. Agências bancárias foram quebradas, placas de sinalização foram arrancadas, entre outros atos de vandalismo.

Posteriormente, as cenas se repetiram na avenida Rio Branco e na praça da Cinelândia. A PM respondeu com o uso massivo de equipamento não letal. Até mesmo homens da divisão de elite da corporação, o Bope (Batalhão de Operações Especiais), foram acionados para conter os tumultos. A Tropa de Choque disparou centenas de bombas e balas de borracha. Durante a confusão, ao menos oito ônibus e um carro foram incendiados.

Protesto no Rio tem bombas perto da Alerj

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