Pai chorou ao saber de prisão de acusado de assassinar menino Joaquim

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/TV Globo

    Guilherme Longo, ao ser preso pela Interpol em Barcelona

    Guilherme Longo, ao ser preso pela Interpol em Barcelona

Reportagem do "Fantástico", da Rede Globo, localizou em Barcelona e com documentos falsos Guilherme Longo, suspeito de ter assassinado o enteado, Joaquim Ponte, de 3 anos, em 2013.

Ele, que não podia deixar o Brasil sem autorização judicial, usava o nome falso de Gustavo Triani, um primo seu.

Foi encontrado a partir de uma denúncia de uma chilena através de uma página no Facebook chamada "Justiça Joaquim", criada pelo pai, Arthur Paes, que chorou ao receber a notícia da prisão pela produção da emissora.

Longo chegou à Espanha depois de passar pelo Uruguai. Ele se hospedou em um albergue, onde dormia num quarto com outras 11 camas. Ficou do dia 9 de abril até cinco dias depois.

A conta, de 85 euros (cerca de R$ 300), foi paga em dinheiro.

O técnico em informática procurou emprego em bares próximos ao hostel onde estava hospedado. Para ter certeza de sua identidade, a Globo mandou uma mensagem pelo WhatsApp para marcar um encontro oferecendo uma vaga de trabalho.

Eles não gravaram entrevista. Ao avistá-lo, cancelaram o encontro e avisaram a polícia no Brasil.

Reprodução/TV Globo
Arthur Paes, pai do menino Joaquim, chora ao receber a notícia da prisão de Longo
Longo só pôde ser preso em território estrangeiro ao entrar na lista de Difusão Vermelha da Interpol, o que aconteceu após contato da reportagem da Globo com a PF (Polícia Federal).

Preso na quinta-feira (27), em Barcelona, está num complexo penitenciário na cidade espanhola e vai aguardar a finalização do processo de extradição, que pode durar até um ano.

Procurado pelo "Fantástico", o primo de Longo disse que não tem contato com ele desde agosto de 2013 e que nunca autorizou a utilização de seu nome ou dados pessoais.

Entenda o caso

O menino Joaquim, que vivia com a mãe, a psicóloga Natália Ponte e o padrasto, o técnico de informática Guilherme Longo, em Ribeirão Preto (SP), desapareceu no dia 5 de novembro de 2013. Cinco dias depois, seu corpo foi encontrado no rio Pardo, em Barretos (a 423 km de São Paulo).

A mãe e o padrasto do garoto, então, foram presos preventivamente, mas posteriormente libertados --ela em novembro de 2014 e ele em fevereiro de 2016-- para aguardarem o julgamento em liberdade. 

Em setembro do ano passado, porém, após confessar a uma emissora de TV que matou o menino por estrangulamento, Longo passou a ser considerado foragido pela Justiça. Para a Promotoria, porém, Longo matou o enteado, que era diabético, com uma alta dosagem de insulina, dentro da casa da família.

Reprodução
Menino Joaquim Ponte Marques, morto aos 3 anos em Ribeirão Preto (SP) em 2013
Ainda de acordo com a Promotoria, Longo jogou o corpo no córrego Tanquinho, localizado a cerca de 200 metros de onde moravam e, de lá, ele teria sido levado até o Ribeirão Preto, afluente do rio Pardo --exames feitos pelo IML (Instituto Médico Legal), porém, descartaram que o menino tenha morrido afogado, já que não havia água em seus pulmões.

Segundo o promotor Marcos Túlio Nicolino, após a fuga, o técnico em informática teria ficado um tempo escondido na Grande São Paulo. Depois ele saiu do Brasil, via Uruguai, e foi para a Espanha, usando documentos falsos e o passaporte de um primo que reside em Florianópolis (SC). Até ser detido pela Interpol, em Barcelona, na quinta-feira (27), Longo era um um dos homens mais procurados do Estado. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo oferecia recompensa de até R$ 50 mil a quem desse informações sobre o suspeito. 

Longo foi denunciado por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver --a pena pode chegar a 30 anos--, enquanto Natália Ponte foi denunciada por suposta omissão.

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