Dossiê de colégio no Rio aponta brigas e uso de drogas na unidade; denúncia é enviada ao MP

Patrick Mesquita

Colaboração para o UOL

  • Reprodução/Facebook

    Colégio estadual Visconde de Cairú foi protagonista nas ocupações de 2016

    Colégio estadual Visconde de Cairú foi protagonista nas ocupações de 2016

Um dossiê feito pelo Conselho Escolar do Colégio Estadual Visconde de Cairú, no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro, assustou a população local. A unidade tem passado por diversos problemas e relatos de briga entre alunos, uso de drogas ilícitas dentro das dependências estudantis e até mesmo relações sexuais. De acordo com a manifestação, a falta de funcionários para a inspeção tem sido o principal motivo para a falta de segurança.

Uma denúncia formal foi feita e encaminhada para o Ministério Público e para a Secretaria Estadual de Educação responsável pela área do colégio, mas não há previsão para qualquer resolução do caso.

"Uso de drogas nas cercanias da escola sempre foi comum, mas nos últimos meses tem ocorrido no prédio principal", conta um professor que pediu para não ser identificado. "No ano passado, uma pessoa entrou na escola sem ser notada, foi até a sala dos professores, conversou normalmente e só no fim da conversa revelou que nunca tinha estado ali e que era muito fácil adentrar o recinto. Os poucos funcionários de apoio estão com salários atrasados, o que vem gerando atritos entre eles. Brigas na frente dos alunos. Toda semana alunos são assaltados."

Os alunos também estão insatisfeitos e inseguros com os casos recentes. Um estudante da unidade, que também pediu para não ser identificado, acredita que a culpa é a Secretaria de Educação (Seeduc), responsável pela gestão de pessoas.

"Infelizmente tem acontecido tudo isso. Mas não culpo a direção e sim os próprios alunos. Ao nível de 'educação' é bom. Temos ótimos professores", aponta o aluno. "O colégio está sem porteiro, também, com poucos funcionários para a limpeza. Não é culpa da direção atual, mas dá Seeduc. O diretor não contrata nenhum funcionário, não é de sua capacidade. Aos poucos, o Cairú está virando um inferno".

Com aproximadamente 15 mil metros quadrados, o Colégio Visconde de Cairú é um dos mais tradicionais da região e está perto de completar 100 anos, o que aumenta ainda mais a tristeza de quem trabalha no local e se depara com as condições atuais. Ele foi palco de ocupações de estudantes em 2016 em apoio a greve de professores da rede estadual, que pedia mais investimentos do governo por melhores condições de estudo.

"É muito complicado. A escola é muito grande e são cinco andares. Só dois inspetores de manhã e que trabalham até as 15 horas. Depois não fica ninguém. Temos um bosque dentro da escola, que é trancado. Os alunos entram de qualquer jeito, com ou sem uniforme, já que não pode mais proibir a entrada de quem não usa uniforme. Pulam o muro, fica muito complicado. Realmente, o Cairú pede socorro", afirma uma funcionária que preferiu não se identificar.

"Não temos o poder de contratar funcionários. Se não podemos (contratar), como a culpa é da escola? Funcionários de limpeza, nós temos só três de manhã e três à tarde", termina.

Procurada pela reportagem, a direção do Colégio disse apenas que não pode dar declarações e que existem problemas, sem dar detalhes da gravidade.

A Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc) afirma que os problemas expostos pelo conselho são próprios da direção da escola e devem ser resolvidos no "ambiente escolar". Vale destacar que a Seeduc é responsável por funcionários terceirizados na unidade.

Veja, na íntegra, o comunicado enviado ao UOL.

A Secretaria de Estado de Educação esclarece que em relação ao Colégio Estadual Visconde de Cairu, no Méier, os problemas descritos no documento são inerentes à direção da escola e, portanto, devem ser resolvidos dentro do próprio ambiente escolar e informados à Diretoria Regional Metropolitana III, que atende à unidade em questão. Para isso, a Seeduc mantém, em parceria com o Tribunal de Justiça, programa de Mediação de Conflitos para treinamento de seus diretores. Importante destacar neste caso, inclusive, que a própria Diretoria Regional não possui registros ou foi informada sobre brigas entre alunos, uso de drogas, entre outras situações que não são permitidas nas dependências da escola.

A Secretaria esclarece, ainda, que funcionários do C.E. Visconde de Cairu controlam a entrada e saída de alunos. Em eventuais problemas de segurança que envolvam terceiros, as direções são orientadas a registrar o caso nas delegacias ou nos batalhões locais para as devidas providência. 

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