Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Megaoperação no Rio tenta prender 95 PMs suspeitos de corrupção

Do UOL, no Rio

  • Gabriel de Paiva/Agência O Globo

    Policial militar se lamenta ao levar colega preso no Rio

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A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro realizam, nesta quinta-feira (29), uma megaoperação para cumprir ao menos 185 mandados de prisão contra policiais e traficantes de drogas suspeitos de corrupção. Das ordens judiciais, 95 são contra PMs, de acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública. Ao menos 62 PMs e 22 traficantes haviam sido presos preventivamente até 16h15.

Os PMs serão indiciados por organização criminosa e corrupção passiva e os traficantes, por tráfico, organização criminosa e corrupção ativa.

A ação, batizada "Calabar", ocorre no Rio e em cidades como Niterói, São Gonçalo, Maricá e outras na região metropolitana do Estado. Outros 70 mandados de prisão têm como alvo traficantes de drogas que, segundo a apuração oficial, pagariam propina aos policiais investigados.

As equipes também cumprem cem mandados de busca e apreensão em batalhões e endereços residenciais. A maioria dos PMs investigados está nos batalhões de São Gonçalo (7º BPM) e de Niterói (12º BPM).

Os detidos estão sendo levados para a Cidade da Polícia, na zona norte da capital fluminense, onde foi montada uma base de comando.

As investigações revelaram que uma quadrilha formada por policiais cobrava propina a traficantes de várias comunidades do Rio, muitas vezes pessoalmente. O grupo criminoso movimentava cerca de R$ 1 milhão por mês. Cada ramificação da quadrilha receberia, em média, de R$ 1.000 a R$ 5.000 por semana.

Segundo o delegado titular da Delegacia de Homicídios de Niterói, Fábio Barucke, as investigações tiveram início em fevereiro de 2016 após a prisão de um homem, cuja identidade não foi revelada. Considerado elo entre traficantes e policiais, ele fechou acordo de delação premiada.

O delator, que fazia a intermediação entre os PMs e os traficantes, teve celulares apreendidos a partir dos quais foram descobertos diversos números usados pelos PMs suspeitos. Foram analisadas 200 mil ligações, que geraram 800 páginas de diálogos. Os policiais recolhiam propina em troca da não repressão do tráfico de drogas.

A partir das interceptações telefônicas, um segundo intermediário, que substituiu a função exercida pelo suspeito colaborador, também foi detido. Ele foi preso na saída de uma comunidade com armas que, segundo o delegado, foram apreendidas e seria revendidas em outra favela.

Internamente, a operação está sendo considerada a maior da história do Rio no combate à criminalidade dentro da Polícia Militar. No total, participam 110 delegados e mais de 500 agentes.

Operação Calabar foi iniciada ainda durante a madrugada desta quinta (29)


O trabalho é coordenado pela Divisão de Homicídios de São Gonçalo e Niterói, com apoio de promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado), órgão do MP, e policiais da Corregedoria Interna da PM.

Se indiciados e denunciados à Justiça, policiais e traficantes responderão pelos crimes de corrupção e organização criminosa.

Elias Maluco entre os denunciados

A investigação teve início em 2016, após a prisão de um homem flagrado com dinheiro em uma favela dominada pelo tráfico de drogas de São Gonçalo. O suspeito teria então feito um acordo de colaboração premiada, o que possibilitou avançar na apuração.

"Cinco civis foram denunciados, acusados de serem os intermediários das propinas. Cabiam a eles fazer os 'recolhes' junto aos traficantes", informou o MP, em nota.

Entre os traficantes denunciados está Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco. O criminoso foi condenado pela morte, em 2002, e apontado como mandante da morte do jornalista Tim Lopes, capturado enquanto apurava informações, para reportagem da TV Globo, sobre exploração sexual de crianças e adolescentes no Complexo do Alemão, na zona norte carioca.

"Apesar de não ser liderança direta em São Gonçalo, constava como recebedor de recursos do tráfico local", disse o Ministério Público. Também foram denunciados Shumaker Antonácio do Rosário, o Schumaker, e Érico dos Santos Nascimento, o Farme, considerados líderes locais do tráfico. (Com Estadão Conteúdo)

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