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Sobrevivente de naufrágio no Xingu revela tempestade e diz que não havia coletes para todos

Equipes atuam no resgate das vítimas do naufragou no rio Xingu, no Pará - xingu230.com
Equipes atuam no resgate das vítimas do naufragou no rio Xingu, no Pará Imagem: xingu230.com

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

23/08/2017 19h21Atualizada em 23/08/2017 19h22

Sobrevivente do naufrágio da embarcação "Comandante Ribeiro", que afundou no rio Xingu, entre os municípios de Porto Moz e Senador José Porfírio, na região sudoeste do Pará, na madrugada desta quarta-feira (23), contou que, antes do acidente, o barco foi atingido por uma tempestade.

Passageiro, o DJ Bruno Costa, 29, relatou que por volta das 21h30 desta terça-feira (22) uma tempestade atingiu a embarcação e a estrutura começou a estalar e foi se quebrando. Logo depois, o barco afundou no leito do rio, numa área chamada de Ponte Grande do Xingu.

A embarcação levava cerca de 70 pessoas, entre passageiros e tripulantes, da cidade de Santarém, região oeste do Pará, para Vitória do Xingu. Antes do acidente, o barco fez escala nos municípios de Monte Alegre e Prainha. Por conta do embarque e desembarque de passageiros nas cidades de parada, não se sabe ao certo o número exato de pessoas que estavam no barco. Até agora, dez corpos de vítimas do naufrágio foram encontrados e 25 pessoas com vida foram resgatadas por outros barcos.

O sobrevivente contou que conseguiu sair poucos minutos depois que o barco afundou e que o momento foi de pânico entre os passageiros. Ele disse que muitas pessoas não conseguiram sair do barco por conta de uma lona que estava na cobertura e afundaram junto com a embarcação. 

“Tive momentos terríveis nesta madrugada. Era uma tempestade e o barco começou a quebrar e foi todo mundo para o fundo. A lona que amarra o barco impediu muita gente de sair. Eu estava de colete e consegui tirar uma criança, que também estava de colete. Antes de sair do barco, esbarrei na lona, mas consegui sair por baixo mesmo com o menino no colo. Acredito que muita gente não conseguiu sair do barco por conta da lona”, relatou o DJ.

Ele conta ainda que quando chegou a superfície, observou outros passageiros em desespero por não saberem nadar. Eles se agarravam uns aos outros, atrapalhando quem conseguia subir até a superfície. Segundo o sobrevivente, nem todas as vítimas que chegaram à superfície conseguiram se manter flutuando e não havia coletes salva-vidas para todos.

As vítimas passaram a madrugada dentro da água aguardando resgate. A Capitania dos Portos informou que somente às 7h de hoje recebeu o chamado de socorro.

"Quando cheguei à superfície, um cara subiu nas minhas costas, fiquei todo arranhado, mas consegui tirar ele de cima de mim. Ele tirou a criança e rasgou minha camisa. Eu consegui sair desse cara e ele foi para o fundo", contou Costa, destacando que conseguiu ficar na superfície até o socorro chegar ao amanhecer porque estava usando colete. 

Costa está internado em observação no hospital municipal de Porto de Moz com outras 24 pessoas resgatadas com vida. Já os dez corpos estão no necrotério do hospital para se submeterem a necropsia e serem identificados. Equipes do IML (Instituto Médico Legal) de Altamira se deslocaram para Porto de Moz para realizar a necropsia e identificação dos corpos no necrotério do hospital local.

Entre os mortos, estão um bebê de 1 ano, uma criança, um adolescente de 15 anos, o comandante da embarcação e outros seis adultos. O corpo do comandante da embarcação foi encontrado pelo Corpo de Bombeiros dentro da cabine do barco.

Para facilitar a apuração do caso e o resgate das vítimas, a Segup (Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social) instalou uma sala de situação da Câmara de Vereadores de Porto de Moz e uma estrutura para atendimento das vítimas, no Ginásio Chico Cruz.

O Sistema de Segurança Pública e o Centro de Comando de operações estão no local com equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Militar e do Grupamento Fluvial de Segurança Pública. Duas lanchas do GFlu foram deslocadas ao local, uma de Almerim e outra de Vitória do Xingu.

Duas aeronaves do Grupamento Aéreo de Segurança Pública levaram reforço do efetivo da Defesa Civil, do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, Grupamento Fluvial e da Diretoria de Telecomunicações da Segup.

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