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Abordagem da Rota é padrão, só muda a linguagem, diz comandante da tropa

Abordagem da polícia nos Jardins e na periferia deve ser diferente

UOL Notícias

Do UOL, em São Paulo

24/08/2017 22h41

Após dizer que existem formas distintas de abordagem a pessoas que estão em regiões ricas e pobres de São Paulo, o tenente-coronel Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, novo comandante da Rota, a tropa de elite da PM (Polícia Militar) de São Paulo, procurou relativizar a afirmação.

Em entrevista em vídeo publicada na noite desta quinta (24) na página da PM-SP no Facebook, Mello Araújo afirmou que a abordagem da Rota é padrão, independentemente da região. O que muda, segundo ele, é a linguagem, a forma de falar com a pessoa abordada pelo policial.

“A abordagem, não só da Rota, mas da Polícia Militar, ela é padronizada. Nós temos procedimentos operacionais padrão. E explica, desde quando o policial ingressa na corporação, de como fazer essa abordagem. Então, a abordagem é padronizada, não só na Rota, na polícia inteira. Em qualquer local, ela é feita da mesma forma. Eu posso fazer uma abordagem na zona sul, na zona leste, na zona centro, ela é padrão, ela é padronizada”, disse.

Em entrevista para o UOL publicada nesta quinta-feira, o comandante afirmou que os PMs que atuam nos Jardins, bairro nobre da capital, e na periferia da cidade adotam formas diferentes na hora de abordar e falar com moradores.

"É uma outra realidade. São pessoas diferentes que transitam por lá. A forma dele abordar tem que ser diferente. Se ele [policial] for abordar uma pessoa [na periferia], da mesma forma que ele for abordar uma pessoa aqui nos Jardins [região nobre de São Paulo], ele vai ter dificuldade. Ele não vai ser respeitado", disse ao UOL. "Da mesma forma, se eu coloco um [policial] da periferia para lidar, falar com a mesma forma, com a mesma linguagem que uma pessoa da periferia fala aqui no Jardins, ele pode estar sendo grosseiro com uma pessoa do Jardins que está ali, andando", completou.

A assessoria de imprensa da PM havia informado por telefone, na manhã desta quinta, que o comandante tinha sido "infeliz nas palavras". A corporação informou que enviaria uma nota esclarecendo os argumentos do tenente-coronel. Porém, até a publicação desta reportagem, o posicionamento não foi enviado.

Linguagem coloquial

Em entrevista à página da PM após a publicação da reportagem do UOL, Mello Araújo disse que se referiu apenas ao modo de falar com as pessoas. “A polícia, quando vai fazer uma abordagem, ela precisa fazer a abordagem de forma que facilite para a gente. E, muitas vezes, a gente utiliza a linguagem coloquial, ou seja, para aquele momento, para aquela pessoa, para que ela entenda o que o policial quer, para facilitar o serviço”, afirmou.

O comandante deu como exemplo a realização de uma palestra. “Se forem usados termos técnicos para um público que não é conhecedor do assunto, eles não vão entender, não vai conseguir fazer uma aproximação [entre o policial e o cidadão].”

O comandante da Rota afirmou ainda que a tropa busca ter boa relação com o cidadão. “Terminou a abordagem, aquela pessoa ou vai terminar sendo minha amiga, pela abordagem, amiga da polícia, amiga da Rota, ou, se por acaso for um criminoso, vai terminar preso. Não existe lá na Rota a possibilidade de uma abordagem, a pessoa sair insatisfeita, que foi maltratada, de forma alguma. Isso é uma coisa que a gente carrega lá”, afirmou.

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