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Professor com pós-doutorado toma decisão radical e pede emprego em semáforo em SP

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Wanderley Preite Sobrinho

Colaboração para o UOL

25/08/2017 15h49

Um professor universitário com pós-doutorado na USP (Universidade de São Paulo) agora dá expediente em um farol de trânsito na cidade de Taubaté, interior de São Paulo. Desempregado há um ano e oito meses, Eduardo Cobra, de 56 anos, decidiu escrever um cartaz com suas qualificações e pedir emprego em um cruzamento da cidade.

Depois de distribuir “mais de 600 currículos pelo Brasil” nos últimos meses, o professor tomou “uma decisão radical”.

“Jamais passou pela minha cabeça chegar a uma situação dessas”, disse ele ao UOL. “A ideia surgiu há uma semana. Eu me inspirei em um protesto de um servidor da UERJ [Universidade do Estado do Rio de Janeiro] que estava sem salário. Ele fez um cartaz e foi para o semáforo. Como a repercussão foi internacional, pensei em fazer o mesmo.”

Ele então confeccionou seu próprio cartaz e ficou das 8h45 às 15h45 de quinta-feira (24) empunhando uma cartolina com suas qualificações e a pergunta: “Que país é este onde mais de 14 milhões de desempregados estão quebrados, na maior pindaíba?”

A carreira profissional de Cobra começou há pouco mais de 20 anos, quando passou a dar aulas para a educação básica em escolas estaduais e particulares. Lecionou para crianças por mais de 12 anos até que surgiu a chance de dar aulas para universitários.

Ensinou em três faculdades nos últimos oito anos. A última, a FAPI (Faculdade de Pindamonhangaba), o demitiu por correspondência. “No ápice da crise, a instituição mandou muitos professores embora. Recebi a minha demissão por telegrama.”

Cobra lamenta o fato de não conseguir trabalho, embora não tenha parado de se reciclar. É formado em Teologia e é mestre em Ciência da Religião pelo Mackenzie; tem licenciatura em História pela Uninove, é doutor em Educação pela Universidade Metodista e pós-doutorado em Literatura pela USP, curso que concluiu no ano passado.

Pai de quatro filhos - dois são gêmeos -, o professor e a mulher vêm contando com a ajuda de parentes para cobrir as despesas. “Mãe, irmãos e cunhados têm me ajudado a pagar o aluguel e as contas. Para a alimentação, eu tenho recebido cestas básicas.”

Mas o pedido de emprego misturado com protesto já começa a dar certo. O professor, que pretendia voltar ao semáforo nesta sexta-feira e sábado, mudou de itinerário: “Recebi duas propostas de emprego. Estou indo agora para uma entrevista. Amanhã tenho outra.”

Cotidiano