Violência no Rio

Polícia procura na Rocinha ex-primeira dama do tráfico e apura suposto envolvimento em invasão

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Reprodução/Facebook

    Foragida, Danúbia Rangel, mulher do traficante Nem, mantém perfil no Facebook ativo

    Foragida, Danúbia Rangel, mulher do traficante Nem, mantém perfil no Facebook ativo

Condenada a 28 anos de prisão por tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção ativa, Danúbia de Souza Rangel, 33, mulher do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, está foragida. Segundo a Polícia Civil, Danúbia ainda estaria na comunidade que, no último domingo (17), foi invadida por criminosos que disputam o tráfico de drogas na região. Ela é suspeita de envolvimento na ação.

Nas redes sociais, é possível encontrar diversos perfis da ex-primeira-dama do tráfico. Numa foto publicada em junho, ela aparece de biquíni na piscina, óculos escuros e cabelo platinado. Na legenda: "Fase ruim nenhuma vai me derrubar". Entre os seguidores, comentários que vão de "linda" até "corre que a polícia vai te pegar".

Na maioria das fotos, a mulher de Nem aparece com um cordão no pescoço com pingente em forma de coração escrito Bia --referência à filha que morreu em decorrência de uma pneumonia em 2012. Beatriz tinha 14 anos e era filha de Danúbia e do traficante Luiz Fernando da Silva, conhecido como Mandioca --morto em confronto com a Polícia Militar.

Conhecida como Xerife da Rocinha, antes de ser mulher do traficante Nem (preso em 2011), Danúbia era chamada de Viúva Negra. Isso porque, antes de se envolver com Nem, ela foi mulher do traficante Luiz Fernando Sales da Silva, o Mandioca, do Complexo da Maré. Após a morte dele, ela acabou ficando com o substituto de Mandioca, um bandido chamado Marcélio de Souza Andrade, também morto em confronto com a polícia.

Ficha Criminal

Em 2011, após ser encontrada num salão de beleza da comunidade, ela foi levada para delegacia da Gávea, na zona sul, por policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) para prestar depoimento. Danúbia era acusada por associação ao tráfico de drogas.

Na ocasião, o delegado Carlos Augusto Nogueira, disse que Danúbia recebia presentes de Nem, andava com carro fornecido por ele e não comprovava ter emprego fixo, o que indicava associação para o tráfico. No entanto, ela acabou sendo liberada.

No mesmo ano, Nem foi preso tentando fugir da Rocinha no porta-malas de um carro.

A partir daí, Danúbia passou a se dividir entre o Rio de Janeiro e Campo Grande (MS), para onde o marido foi levado. Lá, ela chegou a abrir um salão de beleza.

Três anos depois da prisão do chefe do tráfico na Rocinha, Danúbia foi presa. Em março de 2014, ela foi encontrada com dez aparelhos de telefone celular e três tablets com conexão à internet. Ela foi acusada de enviar recados de Nem para traficantes aliados.

Em 2016, ela foi absolvida de uma das acusações de associação para o tráfico e acabou solta. No entanto, menos de um mês depois, a Justiça a condenou a 28 anos de prisão. Desde então, Danúbia é procurada pela polícia. O Disque Denúncia oferece R$ 1.000 de recompensa por informações sobre seu paradeiro.

Tensão na Rocinha

Uma disputa de traficantes rivais pelo controle de venda de drogas aterrorizou os moradores da Rocinha no último domingo (17), com um tiroteio que durou ao menos cinco horas pela manhã.

Desde que os traficantes Nem e Rogério Avelino, o Rogério 157, ligados à mesma facção criminosa romperam no fim do ano passado, a Rocinha vive conflitos.

Segundo a polícia, a ordem para invadir a região partiu de Nem e a informação já era de conhecimento do setor de inteligência. De acordo com a Secretaria de Segurança, já foram identificadas oito pessoas que participaram da invasão.

Até o momento, três pessoas foram presas. Edson Gomes Ferreira, 30, foi preso em cumprimento a mandado de prisão por tráfico e associação ao tráfico. Wilken Nobre Barcellos, 20, foi preso em flagrante com uma pistola. Com granadas, Fábio Ribeiro França, 19, também foi preso em flagrante.

Em troca de tiros, durante operação policial na segunda-feira (18) um criminoso, ainda não identificado, foi baleado e morreu. Com ele, uma pistola 9 mm foi apreendida. Também foram apreendidas com os presos duas pistolas (uma 9 mm de fabricação americana e outra ponto 40 de fabricação tcheca), além de duas granadas.

Nas demais buscas, foram realizadas apreensões de material entorpecente, uma central clandestina de cartão de crédito, máquinas de caça-níqueis, partes de fardas do Exército e dos Fuzileiros Navais.

Nesta terça-feira (19), a polícia realiza uma nova operação na Rocinha e em outras comunidades do Rio.

O Bope fez hoje operação no Morro do Vidigal, no Leblon, também na zona sul do Rio. O Batalhão de Choque faz operação no Morro do São Carlos, no Estácio, e no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. A polícia também percorre ruas dos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, no Leme, zona sul.

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