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Firjan ataca Pezão e diz que Rio não pode ficar "à mercê de vaidades" de autoridades

Do UOL, em São Paulo

22/09/2017 16h24Atualizada em 22/09/2017 17h23

A Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) emitiu uma nota nesta sexta-feira (22) criticando a maneira como o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, vem tratando a crise na segurança pública do Estado, afirmando que o Rio não pode ficar à mercê das “vaidades e orgulhos feridos” de autoridades públicas.

Pezão disse na quinta-feira que havia “afinado a viola” com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, sobre a atuação das Forças Armadas no Rio. A expressão usada por ele, para a Firjan, é irresponsável e desrespeitosa.

“É uma linguagem que o sofrimento de cariocas e fluminenses não comporta. É irresponsável falar com uma leveza ensaiada num momento tão dramático. É desrespeitoso com famílias que têm perdido seus entes queridos com balas perdidas. É um acinte com famílias de policiais militares, que perdem suas vidas quase cotidianamente para defender as dos demais cidadãos. Não é essa a resposta que a população fluminense espera”, afirmou a Federação.

"A situação de descalabro da segurança pública no Estado do Rio de Janeiro atingiu nas últimas horas um ponto de descontrole que não admite meias-palavras, brincadeiras ou discursos ensaiados", diz a nota.

Sem citar nomes, a federação disse que o Rio não pode ficar à mercê das “vaidades e orgulhos feridos de autoridades públicas", afirmando ainda que o Estado está “em guerra”. “Não podemos sair de nossas casas. Perdemos o direito de ir e vir”, diz o texto da Firjan, que é uma organização privada e sem fins lucrativos que representa todas as indústrias do Estado do Rio e conta com 103 sindicatos associados.

A nota foi emitida diante da escalada da violência no Rio de Janeiro, que ganhou um novo episódio com os tiroteios na comunidade da Rocinha, na manhã desta sexta.

Após sofrer tentativa de invasão por traficantes rivais no domingo (17) e entrar nesta sexta-feira em seu quinto dia com operações policiais, a Rocinha voltou a registrar confrontos e ataques a policiais durante a manhã. Moradores entraram em pânico e, em meio ao tiroteio, tentaram se refugiar onde podiam. Escolas foram fechadas e cerca de 2.400 estudantes ficaram sem aula.

O cerco pelas Forças Armadas à comunidade foi autorizado pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, que liberou o envio de 950 militares e dez blindados para atuar na Rocinha.

A Firjan expressou apoio à ação do Exército na comunidade da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, afirmando, no entanto, que ela deve ser encarada apenas “como o início de um longo processo de resgate da segurança pública no Rio de Janeiro”.

“O cerco à Rocinha, já autorizado, é fundamental. Mas ele deve ser encarado apenas como o início de um longo processo de resgate da segurança pública no Rio de Janeiro. O caos não está instaurado apenas na Rocinha, mais palpável por se tratar de uma área de enorme visibilidade”, se posicionou a entidade.

Para a Firjan, só as Forças Armadas conseguirão restabelecer os direitos dos cidadãos de bem. “É o papel constitucional de quem tantos serviços presta à Pátria. É a intervenção que se espera daquelas instituições: garantir a Lei e a Ordem quando estão ameaçadas por quem pretende instaurar um poder paralelo pela força das armas”, diz.

A entidade, no entanto, criticou a aplicação da GLO (Garantia da Lei e da Ordem), que é quando o presidente da República autoriza o uso das Forças Armadas quando há o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública, em graves situações de perturbação da ordem.

“Não são os fatos estarrecedores dos últimos dias que têm de caber na GLO. É a GLO que tem de dar conta imediata dos fatos estarrecedores que testemunhamos nas últimas horas. Se suas “diretrizes” não são suficientes, que sejam reformuladas”, diz o texto.

O texto conclui afirmando que o “presidente Michel Temer certamente estará atento para cobrar do Ministério da Defesa uma ação ampla, firme e resoluta em defesa dos cidadãos fluminenses”.

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