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Mãe acusa médico de tirar bexiga de bebê por engano; hospital analisa caso

Mãe de Ana Lupia, que nasceu em abril, denuncia erro de hospital particular em Brasília - Arquivo Pessoal/Nathália Guimarães
Mãe de Ana Lupia, que nasceu em abril, denuncia erro de hospital particular em Brasília Imagem: Arquivo Pessoal/Nathália Guimarães

Eduardo Carneiro

Colaboração para o UOL

22/09/2017 16h19

Uma mãe de Brasília acusa a equipe médica de um hospital particular da cidade de ter retirado por engano a bexiga da filha em cirurgia realizada em abril deste ano, quatro dias depois do nascimento do bebê. A instituição diz que o caso foi analisado internamente e está sendo monitorado.

Nathália Guimarães, 21 anos, deu à luz Ana Lupia em 16 de abril no Hospital Santa Helena, na Asa Norte. Segundo ela, exames feitos semanas antes da cesárea indicaram que a filha tinha um cisto ovariano – o que teria sido prontamente informado aos médicos do local.

A jovem, porém, afirma que o diagnóstico no hospital foi outro. “Deram o diagnóstico errado. Falaram que ela tinha um cisto abdominal e que ela teria que operar com urgência, pois poderia comprimir os órgãos. Pensaram que retiraram o cisto, mas na verdade retiraram a bexiga”, acusa a mãe em entrevista ao UOL.

De acordo com Nathália, este procedimento ocorreu em 20 de abril. O suposto erro só teria sido descoberto três dias depois, quando, segundo relata a mãe, Ana Lupia estava “retendo líquido e ficando inchada” como resultado da retirada da bexiga.

A mãe relata que a filha passou por mais três cirurgias desde então, uma delas para a colocação de dois drenos pelos quais a urina pode sair. Após o primeiro destes procedimentos, no dia 23, ela afirma que o médico que fez a operação anterior reconheceu o erro de ter extraído a bexiga.

“O médico me procurou depois da segunda cirurgia e me disse que eu poderia tirar minhas dúvidas. Pedi apenas que ele assumisse seu erro. Ele assumiu, pediu desculpas e disse que não foi por querer, que ninguém faz isso por querer”, afirma Nathália, que optou por não divulgar o nome do profissional.

A mãe diz que a filha terá que usar a sonda provavelmente pelo resto da vida e que aos cinco anos terá que passar por mais uma cirurgia, de reconstituição da bexiga – em que parte de seu intestino grosso será retirado. “E ela ainda vai ter que usar fraldas até esta nova operação”, lamenta.

Nathália ainda acusou o Hospital Santa Helena de não lhe dar a assistência necessária após o caso, o qual define como “revoltante”. Ela diz que só divulgou o ocorrido agora porque a instituição demorou para entregar os prontuários e também porque teve dificuldades para achar um advogado. Também afirma ter registrado um boletim de ocorrência contra o médico que comandou a cirurgia da retirada da bexiga e que pretende acionar o hospital na Justiça.

Em nota enviada ao UOL, o Hospital Santa Helena diz que “desde o primeiro momento esteve em contato e prestou todo o atendimento necessário à paciente Ana Lípia e sua família”. Além disso, pontua que, após análise interna, "encaminhou o caso para avaliação nas instâncias competentes, conforme a legislação vigente".

O hospital ainda informou que desde a alta da paciente “acompanha o caso por meio do médico assistente e permaneceu à disposição de todos para qualquer necessidade" e que "recentemente manteve contato com a família para prestar eventual assistência necessária”.

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