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Em 2º dia de trégua, Rocinha tem UPA fechada e 3.300 sem aula; polícia faz busca em outras favelas

26.set.2017 - Moradores tentam retomar rotina em meio a cerco das Forças Armadas - Wilton Junior/Estadão Conteúdo
26.set.2017 - Moradores tentam retomar rotina em meio a cerco das Forças Armadas Imagem: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Hanrrikson de Andrade e Paula Bianchi

Do UOL, no Rio*

26/09/2017 11h30Atualizada em 27/09/2017 10h58

A favela da Rocinha, na zona sul carioca, tem nesta terça-feira (26) o segundo dia de trégua após o início do cerco militar das Forças Armadas na última sexta-feira (22). Diferentemente da semana passada, quando os tiroteios ocorreram com frequência diária em razão de uma disputa entre grupos rivais pelo controle do tráfico de drogas e de confrontos de traficantes com policiais, a situação é de aparente normalidade na comunidade na tarde de hoje.

Apesar da trégua, a instabilidade na região e o medo da violência afetam a rotina dos moradores. Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Rocinha, localizada entre as ruas 1 e 2, o atendimento foi suspenso por prazo indeterminado e redirecionado para outras unidades da Secretaria Municipal de Saúde.

A equipe do plantão diurno da UPA está trabalhando na Clínica da Família Rinaldo de Lamare, na avenida Niemeyer, local um pouco mais afastado dos principais acessos à favela. O plantão noturno, por sua vez, será feito em outro bairro, no Hospital Municipal Rocha Maia, em Botafogo, na zona sul, a mais de 10 km da Rocinha.

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Além disso, informou a Secretaria Municipal de Educação, 3.344 estudantes estão sem aula. As atividades foram interrompidas em seis escolas, duas creches e um EDI (Espaço de Desenvolvimento Infantil). Esse é pelo menos o segundo dia seguido no qual os alunos foram obrigados a ficar em casa por conta da violência na região.

Os moradores procuram, contudo, retornar à rotina. Na rua Ápia, uma das principais vias da Rocinha, crianças jogavam bola, moradores faziam compras e mototaxistas subiam e desciam a favela.

Segundo a associação de moradores, que marcou para esta terça uma reunião para debater a presença das Forças Armadas na favela, um dos principais problemas é a ausência dos ônibus que passavam por dentro da comunidade. Com os caminhões do Exército estacionados na estrada da Gávea, que corta a comunidade ao meio, não há espaço para os coletivos manobrarem, deixando a área sem o serviço. Desde sexta, o transporte escolar não está operando na Rocinha.

Rocinha - Gabriel Paiva/Agência O Globo - Gabriel Paiva/Agência O Globo
Mensagem de paz afixada em passarela que dá acesso à Rocinha
Imagem: Gabriel Paiva/Agência O Globo

Sem carteiro na Rocinha

Os Correios interromperam a entrega de correspondências e encomendas na Rocinha "em razão dos recentes acontecimentos", segundo nota divulgada pela empresa.

Dessa forma, os objetos classificados como qualificados (devidamente identificados no momento do envio, tais como cartas registradas, Sedex, entre outros) estão sendo encaminhados para retirada em unidades próximas à comunidade.

Já os objetos simples, que não são registrados pelo remetente no momento do envio, estão retidos nos Centros de Distribuição dos Correios e serão entregues "quando a segurança for restabelecida na comunidade", na versão da empresa.

PM busca traficantes em outras favelas

De acordo com o aplicativo Fogo Cruzado, que realiza um mapeamento digital dos confrontos armados no RJ, houve um tiroteio na Rocinha por volta das 7h20 desta terça, nos arredores da UPA da Rocinha.

Um helicóptero militar sobrevoou a favela nesta terça jogando panfletos que orientam a população a denunciar atividades suspeitas.

Procurada pela reportagem do UOL, a Polícia Militar informou que policiais do Batalhão de Choque realizam nesta manhã uma incursão pela comunidade para reprimir o tráfico de drogas, mas que não houve registro de troca de tiros.

Unidades especiais da PM realizam na manhã de hoje uma operação na favela do Borel, na Tijuca, zona norte carioca, a fim de localizar traficantes que possam ter fugido da Rocinha em razão do cerco militar. Informações da polícia indicam que esses criminosos teriam percorrido a mata da Floresta da Tijuca, uma extensa área com várias rotas e possibilidades de fuga, após a entrada das forças de segurança na Rocinha, na última sexta.

Na segunda-feira (25), o Bope (Batalhão de Operações Especiais) fez uma incursão em outra favela da Tijuca, o morro do Turano, que também tem ligação com a mata. Relatos de moradores do morro reforçam a suspeita de que traficantes da Rocinha usaram a Floresta da Tijuca como rota de fuga.

Relatos indicam que, na madrugada de sábado (23), homens desconhecidos, sujos de lama e folhas, teriam chegado ao morro do Turano. O mais provável é que os suspeitos tenham andado pela floresta até o Horto e lá embarcado em veículos para chegar a favelas da Tijuca.

Tanques do Exército chegaram à Rocinha na sexta-feira (22)

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