Professor de direito ataca mulheres durante aula no PR: "gostam de apanhar"

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL

Um professor de direito do Paraná causou polêmica após comentar, em sala de aula, que "mulher gosta de apanhar". O vídeo ganhou enorme repercussão nas redes sociais. Victor Augusto Leão se defendeu através de nota, em que explica que pretendia "descontrair o nervosismo dos alunos com brincadeiras".

Durante aula de revisão para concurso público, ministrada no dia 2 de setembro no Centro de Estudos Jurídicos Luiz Carlos, em Curitiba, o professor faz ataque às mulheres. O vídeo viralizou após ser divulgado em uma comunidade no Facebook na noite do último sábado (23).

Reprodução
Professor do Paraná falou em sala de aula que "mulher gosta de apanhar"

"Mulherada se acha, né? Essa Lei Maria da Penha aí..", afirma Leão depois de algumas pessoas saírem da sala. O professor se vira, então, para os alunos e continua: "Gosta de apanhar ou não? Levar uns murros na boca de vez em quando? Uma joelhada, não gosta? Quebrar umas costelas, não gosta? Mulher gosta de apanhar. Mulher gosta de levar porrada, não é verdade?", questiona o professor, que complementa.

"Ela não gosta quando incha a boca, incha o olho, borra a maquiagem?", diz o professor no vídeo de quase um minuto. "Tô brincando, tô brincando, tô brincando. Mas se virar a Lei João Galato vai revogar a Lei Maria da Penha e aí a gente vai voltar a descer bordoada na mulherada. Porque em casa é assim."

De acordo com uma jovem - que não estava na aula do dia 2, mas já foi aluna do professor - Leão costuma descontrair a turma. Ao UOL, a estudante, que não quis se identificar, afirma que o docente fez uma "brincadeira de muito mal gosto" dessa vez.

"Não estava na revisão de véspera e não vi o contexto geral da abordagem do professor, mas quem já assistiu ao aulão de véspera sabe que os professores tentam descontrair", afirma. "Ele foi infeliz na brincadeira, mas acho que hoje em dia todo mundo quer ter razão sobre tudo."

A reportagem entrou em contato com alunos que assistiram à aula online, mas eles não quiseram comentar o assunto. A divulgação do vídeo, feita pelas redes sociais do movimento PartidA Curitiba no último sábado, gerou reação imediata dos usuários. Em quase quatro dias, a postagem tem quase três mil reações e mais de mil comentários e dois mil compartilhamentos.

Instituição e professor se defendem

No último domingo (24), dia seguinte ao post, o diretor-presidente do Curso Luiz Carlos, Henrique Arns de Oliveira, se pronunciou por meio de uma nota publicada no site da instituição. "O curso repudia e não compactua com qualquer tipo de incitação à violência contra as mulheres – ou qualquer outro tipo de discriminação, ligada a que gênero for", afirma.

Oliveira diz que a colocação foi "inoportuna", mas revela que ficou impressionado com a reação que o vídeo gerou. "Choco-me em ler tamanho ódio contra uma pessoa que sequer teve direito à defesa", afirma o docente. "Nem a página do curso nas redes sociais foi poupada, demonstrando que o simples ato de compartilhar conteúdo sem nenhuma checagem prévia – o que pode levar a erro – parece ser mais importante que buscar o contexto real dos fatos."

Também por meio de nota, o professor Victor Augusto Leão argumenta que a fala foi uma brincadeira e que o vídeo está fora de contexto. "Era uma aula de revisão de véspera para o concurso do TRE/PR, com milhares de inscritos, e pretendi apenas descontrair o nervosismo dos alunos com brincadeiras enquanto ministrava conteúdo importante de revisão na aula", afirma o educador.

De acordo com a nota, ele já esperava que a fala pudesse ter repercussão. "Em vários momentos do trecho do vídeo divulgado frisei que estava apenas brincando, já prevendo que pessoas maldosas ou com outros desígnios deturpassem meus comentários com finalidades das mais diversas", relata Leão.

Ele diz que tentou fazer uma brincadeira, "como tantos humoristas realizam", e que em 12 anos de sala de aula sempre estimulou o respeito e a consideração entre as pessoas.

Como o vídeo também é exibido como uma teleaula para todo o Brasil e fica armazenado para que os alunos o acessem depois, o diretor-presidente afirmou que este será editado para retirar o tempo em que Leão faz os comentários em questão.

Oliveira informa ainda que a instituição "não recebeu nenhuma reclamação escrita ou verbal na secretaria do curso, em relação aos comentários do professor", mas que o assunto "será levado para nosso Colegiado, que analisará a questão".

Leão encerra sua nota com um pedido de desculpas a quem tenha se ofendido pelos comentários. "Não foi esse o objetivo", conclui.

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